SAMIM entrega as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique perto de três centenas de armas capturadas aos terroristas
Maputo, 04 Jul (AIM) – A Missão Militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral para Moçambique (SAMIM, sigla em inglês) terminou hoje (04), formalmente o seu mandato, que culminou com a restauração da autoridade do Estado nas regiões outrora ocupadas pelos terroristas em alguns distritos da província de Cabo Delgado, no norte.
A cerimónia oficial de encerramento e despedida da SAMIM, com um efectivo de perto de dois mil homens, teve lugar na cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado, um acto que contou a presença do ministro moçambicano da Defesa Nacional, Cristóvão Chume.
Vale lembrar que Moçambique deverá continuar a contar com o apoio de alguns contingentes militares de países amigos, numa bases de cooperação bilateral. Um dos exemplos é a vizinha Tanzânia que já manifestou publicamente a decisão de manter as suas tropas em Moçambique.
“Reconhecemos que com a bravura dos soldados da SAMIM alcançamos progressos, que sozinhos não os teríamos obtido, pelo menos no curto espaço de tempo”, disse.
Arrolou os progressos alcançados, incluindo a destruição das bases dos terroristas, redução de ataques terroristas, retorno ao normal funcionamento das instituições públicas e privadas, bem como a retoma do desenvolvimento das actividades económicas.
Além da livre circulação de pessoas e bens, retorno gradual das populações às suas zonas de origem, os resultados da SAMIM, que chegou em Moçambique em Julho de 2021, estendem-se até a melhoria significativa da situação de segurança, de modo geral, entre outros resultados positivos.
“Estes resultados que consubstanciam, sobremaneira, o sucesso alcançado na luta contra o terrorismo conferiram à SAMIM um papel de relevo na abordagem da ameaça representada pelo terrorismo na nossa região”, afirmou.
Os progressos são, ao mesmo tempo, segundo Chume, uma vitória da SADC, que se inscreve no espírito de irmandade e de ajuda mútua entre os países da região, e a SAMIM “representa o grau elevado da solidariedade regional no quadro da SADC”.
A SAMIM também conferiu uma maior robustez à integração regional da SADC, particularmente, no âmbito da defesa e segurança, o que, de acordo com o ministro, enriquece cada vez mais a história e o papel desta organização regional.
Por isso, a SAMIM revela-se como um exemplo para o continente africano e não só, concebida como um mecanismo estratégico regional a coberto da perspectiva de solução africana aos problemas africanos.
“Gostaríamos, por isso, de usar esta ímpar ocasião para, em nome do Governo da República de Moçambique, do povo moçambicano e no nome de Sua Excelência Filipe Jacinto Nyusi, Presidente da República de Moçambique e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, reiterar a nossa gratidão a todos os países irmãos da SADC, aos países contribuintes com Pessoal e ao Secretariado da SADC, pelo apoio incomensurável no combate contra terrorismo na província de Cabo Delgado”, disse Chume.
Por seu turno, o chefe da SAMIM, Mpho Molomo, assegurou que os progressos da intervenção da Missão melhoraram significativamente a situação de segurança em Cabo Delgado.
Molomo, que falava durante o evento, reiterou que a SADC vai continuar a prestar o seu apoio ao país para acabar com o terrorismo, mas de forma diferente.
“Queremos garantir que jamais deixaremos Moçambique para trás. O nosso compromisso com Moçambique é de continuar a caminhar juntos, em linha com o Pacto de Defesa Mútua da SADC”, afirmou.
Destacou na ocasião a heroicidade dos soldados que em defesa a segurança da região tombaram em combate, sublinhando que os seus nomes figuram na lista dos heróis africanos que pereceram pela libertação dos seus países.
No evento, Molomo entregou ao ministro cerca de três centenas de armas e material electrónico, rádios de comunicação, livros, cartas, capturados nas bases dos terroristas, durante as diversas operações da SAMIM.
Integram a SAMIM contingentes militares de oito países nomeadamente, Angola, Botswana, República Democrática do Congo, Lesotho, Malawi, África do Sul, Tanzânia e Zâmbia.
Desde Outubro de 2017 que alguns distritos de Cabo Delgado são alvos de ataques terroristas, alguns reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.
Nos últimos meses, os ataques reduziram significativamente, o que foi possível libertar os distritos que estão a ser instalados mega projectos de exploração de gás natural.
(AIM)
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