Presidente angolano, João Lourenço, fala a nação por ocasião de 50º aniversario da independência nacional. Foto de Paulo Mulaza, Jornal de Angola
Maputo, 11 Nov (AIM) – Angola celebrou hoje (11), o 50º aniversário da sua independência nacional, uma data marcada por emoções e uma reflexão sobre o percurso do país.
Com “Uma Lágrima no Canto do Olho”, os angolanos recordam os 27 anos de guerra civil que dividiram “irmãos da mesma mãe” e travaram o desenvolvimento.
Durante a cerimónia oficial, o Presidente João Lourenço, lançou um vigoroso apelo à união entre os angolanos e à superação das diferenças políticas.
“Não deixemos que as querelas partidárias consumam grande parte do nosso tempo”, afirmou.
Foi uma cerimonia na qual Moçambique fez-se representar pela presidente da Assembleia da República de Moçambique (AR) Margarida Talapa, que teve lugar na Praça da República, em Luanda.
Talapa participou neste acto oficial, em representação do Presidente da República, Daniel Chapo.
A esta cerimónia de celebração das bodas de ouro da independência de Angola estiveram, igualmente, presentes os antigos estadistas moçambicanos, Joaquim Chissano, e Filipe Nyusi, como convidados de honra de João Lourenço.
A presidente do parlamento moçambicano esteve entre os Chefes de Estados convidados que renderam homenagem ao primeiro Presidente da República de Angola, António Agostinho Neto, no sarcófago junto à Praça da República.
Agostinho Neto é figura central do movimento de libertação e proclamador da independência, a 11 de Novembro de 1975.
Chissano revelou, em conversa que Agostinho Neto tinha afeição especial por Moçambique, e na véspera da proclamação da independência de Angola, a 10 de Novembro de 1975, tinha estado no país.
Um dos momentos mais altos da celebração dos 50 anos, foi a condecoração, à título póstumo, com medalha de honra, à Agostinho Neto, por ter sido primeiro Presidente da República de Angola e pelo contributo prestado à nação angolana.
Ao som de cânticos populares e músicas de raiz tradicional angolana, como Rui Mingas, Isau Baptista, Filipe Mukenga, grupos organizados de cidadãos provenientes das 18 províncias de Angola, incluindo bairros suburbanos de Luanda, deram ar da sua graça, exaltando a identidade cultural dos angolanos.
A comissão interministerial envolvida na organização das cerimónias, confirmou a participação de cerca de seis mil foliões.
O desfile militar, com contingentes dos vários ramos das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional, envolvendo aproximadamente quatro mil efectivos, encerrou a “procissão”.
O Chefe do Estado angolano percorreu os 50 anos da história recente do país, cerca de três décadas dos quais, marcados por conflitos armados, entre “filhos da mesma mãe”.
João Lourenço lembrou que a seguir às independências nacionais os países da África Austral “corriam sério risco de serem colonizados, em tão curto espaço de tempo”, numa clara alusão ao regime segregacionista do Apartheid, que desestabilizou a região.
O Presidente de Angola lamentou o facto de “desde o dia da independência de Angola, o nosso país passou por 27 anos de conflito armado, destacando a célebre batalha do Cuito Cuanavale, que em 1987, opôs as Forças Armadas angolanas e cubanas à guerrilha da UNITA, o maior partido da oposição em Angola, apoiada pelo exército sul-africano do regime do Apartheid.
Foi a mais prolongada batalha de que há registo no continente africano.
Com efeito, as marcas da guerra são ainda visíveis, 23 anos depois, e condicionam o desenvolvimento do país, e, João Lourenço determinou, que “a prioridade de momento é trabalhar para que Angola seja declarada livre de minas nos próximos dois anos”.
O discurso de João Lourenço ficará, certamente, marcado pelo apelo à união entre os angolanos em prol de desenvolvimento, tendo sublinhado ser esta a condição primordial para a construção do bem-estar e progresso de Angola.
“O momento é para os empreendedores”, concluiu.
Talapa fez-se acompanhar pelos deputados do parlamento moçambicano, Aires Ali, da bancada da Frelimo, partido no poder, e chefe do Grupo Nacional junto do Parlamento Pan-Africano; e Marta Zalimba, também da Frelimo, e presidente do Gabinete da Mulher Parlamentar.
Fez-se também acompanhar pelos deputados e porta-vozes das bancadas do Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS) o maior partido da oposição, Ivandro Massingue; da Renamo, o segundo da oposição, Arnaldo Chalaua; do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) Leonor de Sousa, bem como pelo secretário-geral da AR, António Mahumane, entre outros quadros.
(AIM)
José Nguila/ac
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