Antiga ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida, discursa na 5ª edição do programa “Direito a Sonhar”
Maputo, 27 Nov (AIM) – A antiga ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida, exorta a mulher moçambicana para que se assuma como referência e fonte de inspiração no seu meio, de modo a impulsionar a igualdade de género no país.
Para Kida, o exercício pleno da liderança feminina passa, antes de tudo, por capacitar todas as mulheres, irradiar exemplos positivos que motivem outras a avançar e superar desafios sociais ainda persistentes.
Kida falava durante a 5ª edição do programa “Direito a Sonhar”, considerado um dos maiores fóruns de reflexão dedicados a inspirar, motivar e engajar mulheres em diferentes níveis, promovendo a igualdade de género e reforçando a liderança feminina em todos os sectores socioeconómicos.
Segundo a antiga ministra, cada mulher deve inspirar as demais através da sua atitude, postura e forma de estar.
“Porque a mulher pode inspirar aonde estiver. E este é o desafio que eu lanço. Vamos inspirar outras mulheres”, afirmou.
Acrescentou que a inspiração não depende de títulos académicos, mas sim do exemplo no quotidiano.
“É nos nossos gestos. É na forma como nós estamos. Portanto, é na nossa forma de ser e de estar que muitas vezes nós viramos estas mulheres que inspiram”.
“Não precisa de ter certificados. Não precisa de ter vários cursos para ser esta mulher que inspira”, acrescentou.
Kida encorajou ainda maior união e empatia entre as mulheres, sublinhando que a caminhada é mais difícil quando feita isoladamente.
“Mas o desafio que eu coloco é que talvez não consigamos chegar longe se cada uma de nós decidir ir sozinha. Então eu penso que nós temos que nos abraçar como mulher e temos que ter mais empatia para com as outras. Porque, infelizmente, esta é a realidade”.
Por sua vez, a fundadora e matrona da “Iniciativa Confia”, Eulália Nhatitima, defende que a superação de desafios que a mulher e rapariga ptais como as uniões prematuras – exigem um maior comprometimento da sociedade.
“Esta questão das uniões prematuras, nós vemos que acontece muito nas zonas rurais e muitas das vezes são situações que são apadrinhadas pelas próprias famílias. Então, a sociedade é a primeira a estar comprometida com isto, a partir das nossas casas, das nossas famílias, na comunidade onde nós estamos inseridos”.
O antigo Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, também presente no evento, afirmou que o empoderamento da mulher moçambicana só será efectivo se os homens reconhecerem a importância da parceria para o avanço comum.
“O empoderamento só vai ser possível se também o homem entender necessidade dessa parceria e é isto que eu vou partilhar, a minha experiência como um homem, como antigo de viver, enfim, tudo isso”, disse.
Segundo Maleiane, a experiência demonstra que não há desenvolvimento sustentável sem equilíbrio de género.
“A experiência diz que não há desenvolvimento sustentável se esta questão de género não for muito bem equilibrada. Cada um no seu papel, mas tudo fazendo um conjunto para poder avançar”.
Integrado na “Iniciativa Confia”, da Fundação para a Cidadania e Direitos Humanos, o programa “Direito a Sonhar” procura criar um espaço seguro para a partilha de experiências transformadoras com potencial de impactar e melhorar a vida da mulher e da rapariga em Moçambique.
(AIM)
SNN /sg
