Maputo, 13 Jul (AIM) – A cooperação entre Brasil e Moçambique poderá ganhar uma nova dimensão com a aposta na produção de medicamentos, vacinas e tecnologias de saúde.
Esta possibilidade foi avançada hoje (13), em Maputo, pelo ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha, à margem da cerimónia de lançamento da primeira Escola de Saúde Pública (ESP) de Moçambique.
“Além do compromisso de ampliar cada vez mais a qualificação profissional e a formação profissional, também queremos discutir, a partir das demandas trazidas pelo ministro da Saúde de Moçambique, uma parceria estratégica na produção de medicamentos, de vacinas, de tecnologias para a saúde”, afirmou Padilha.
Segundo o ministro brasileiro, a proposta insere-se na visão de fortalecimento dos sistemas públicos de saúde através de investimento permanente na formação de pessoas, produção de conhecimento, investigação e capacidade de gestão.
Padilha recordou que a cooperação entre os dois países já produziu resultados concretos, destacando o apoio brasileiro na criação da primeira unidade moçambicana de produção de medicamentos antirretrovirais, actualmente também dedicada à produção de medicamentos genéricos.
Para o ministro, Moçambique reúne condições para desempenhar papel estratégico na produção regional de tecnologias de saúde, não apenas para responder às necessidades internas, mas também para contribuir para outros países africanos.
“Acreditamos que Moçambique tem uma localização geográfica muito positiva, com muita capacidade competitiva de ser um polo de fabricação de tecnologias, de medicamentos, não só para a população de Moçambique, mas também para o continente africano”, disse.
A declaração foi feita no contexto da inauguração da primeira Escola de Saúde Pública de Moçambique, instituição que Padilha considerou um marco na cooperação entre os dois países e uma base para ampliar o intercâmbio científico e técnico no espaço da língua portuguesa.
“Essa escola é um primeiro passo para termos uma formação multinacional dos países de língua portuguesa”, afirmou.
Defendeu a criação de programas conjuntos envolvendo instituições de ensino e investigação de Moçambique, Brasil, Portugal e outros países africanos lusófonos.
Padilha destacou que os actuais desafios da saúde pública exigem profissionais preparados para lidar com mudanças climáticas, transformações demográficas, avanços tecnológicos e desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.
“Para nós, inovação sem acesso não deveria chamar-se inovação. Inovação sem acesso é injustiça”, afirmou.
Já o director-geral do Centro Africano de Prevenção e Controlo de Doenças (África CDC), Jean Kaseya, considerou a criação da Escola de Saúde Pública de Moçambique um investimento estratégico para o fortalecimento da saúde pública no continente africano, particularmente nos países de língua oficial portuguesa.
Kaseya destacou os avanços alcançados por Moçambique na consolidação da sua agenda de saúde pública e afirmou que a nova instituição poderá assumir-se como um Centro de Excelência para a formação de profissionais, produção de conhecimento e desenvolvimento de soluções científicas adaptadas às realidades africanas.
Segundo o responsável do África CDC, a construção de instituições fortes é fundamental para que África desenvolva capacidade própria de resposta aos desafios sanitários e prepare uma nova geração de especialistas em saúde pública.
“A história lembra aqueles que construíram instituições. Instituições educam, instituições produzem descobertas e instituições protegem vidas”, afirmou.
A Escola de Saúde Pública de Moçambique foi seleccionada pelo África CDC como Centro de Excelência para a formação de profissionais de saúde pública nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), reforçando o papel do país na cooperação científica e sanitária regional.
(AIM)
SNN/mz
