Terra arável em Moçambique
Maputo, 27 Jul (AIM) – O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, reafirmou o compromisso do Governo de transformar a província de Niassa, norte de Moçambique, em capital agrícola.
O ministro assim se pronunciou. Domingo, durante um encontro com membros do Governo provincial e empresários da área de agronegócio, inserido na visita de trabalho que efectua à província mais extensa do país.
Acrescentou que o Governo vai priorizar investimentos e implementação de um plano estratégico de desenvolvimento agrário.
Segundo o governante, a iniciativa enquadra-se nas prioridades definidas pelo Executivo para impulsionar a produção agrícola e fortalecer a segurança alimentar, com enfoque nos produtos da cesta básica, nomeadamente cereais, leguminosas, feijões e soja.
O Governo, segundo a fonte, vai ainda apostar na avicultura, pesca e culturas de rendimento, tanto tradicionais como emergentes, entre as quais o caju e a macadâmia.
“Niassa vai ser capital da agricultura, isto significa que é o local onde os recursos devem ser priorizados para fazer acontecer a produção em larga escala,” afirmou.
“Mas isso só será possível se todos estivermos engajados para que esse objectivo seja alcançado”, acrescentou.
A fonte explicou que o plano de acção para o desenvolvimento agrário da província está delineado para as próximas três campanhas agrárias, prevendo o envolvimento de diferentes actores que deverão contribuir com conhecimento técnico, experiência e capacidade profissional para a concretização das metas estabelecidas.
Por sua vez, a directora Provincial da Agricultura e Pescas de Niassa, Flávia Langa, apresentou as potencialidades da província, destacando que a província dispõe de cerca de 10 milhões de hectares de terra arável, dos quais 2.757.486,9 hectares estão disponíveis para produção e 222.500 hectares possuem Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), passíveis de estabelecimento de parcerias.
De acordo com Langa, a província reúne condições para a produção de diversas culturas agrícolas, incluindo milho, algodão, tabaco, soja, amendoim, batata-doce, batata-reno, mapira, feijão-nhemba, hortícolas, citrinos, manga, papaia, goiaba, ananás e caju.
A fonte destacou o elevado potencial aquícola de Niassa, estimado em cerca de 58 mil hectares de áreas aptas para a aquacultura, beneficiando de lençóis freáticos pouco profundos, nascentes permanentes, longos períodos de precipitação e solos argiloarenosos favoráveis à actividade.
Sublinhou ainda que a província é privilegiada pela existência de importantes recursos hídricos, incluindo os lagos Niassa, Amaramba, Chiuta e Chirua, bem como os rios Lugenda, Messalo, Rovuma e respectivos afluentes, factores que reforçam o potencial pesqueiro da região.
Entre as principais espécies de pescado existentes destacam-se a usipa (sardinha), chambo, malobolo, ncheni, campango, peixe-gato, e diversas espécies ornamentais.
Segundo a directora, o potencial de produção pesqueira da província está estimado em 34.700 toneladas de pescado por ano.
(AIM)
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