Mulheres africanas
Maputo, 02 Abr (AIM) – A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) realçou que as mulheres lideram cerca de 60% das pequenas e médias empresas (PMSs) e desempenham papel decisivo na diplomacia económica do país, evidenciando força feminina no desenvolvimento socioeconómico nacional.
A informação foi partilhada esta quinta-feira (04), em Maputo, pela directora executiva da CTA, Teresa Muenda, durante a 2ª Conferência “Mulher Nota 20”, afirmando que,apesar dessa representatividade, as mulheres ainda enfrentam desafios estruturais, incluindo desigualdade económica e violência de género.
“As mulheres gerem cerca de 60% das pequenas e médias empresas no nosso país e desempenham um papel crucial na economia e na diplomacia económica, sendo um motor essencial para o desenvolvimento e a geração de oportunidades de negócio”, afirmou.
Para Muenda, “Juntas, podemos fazer a diferença e construir um mundo melhor”, por isso, o lema da conferência, “Unidade que inspira, voz que transforma”, reflecte a capacidade da mulher de unir, influenciar e transformar a sociedade.
“A mulher, com a sua voz, muda ideias e move a sociedade. Precisamos empoderar meninas e mulheres desde a família, deixando de lado crenças de que a rapariga deve estar em segundo lugar”, declarou.
A dirigente destacou que a mulher desempenha papel central no desenvolvimento económico e na diplomacia económica, promovendo oportunidades de negócio e fortalecendo a economia familiar e comunitária.
“Ela é uma diplomata económica: sustenta a família, ensina outras comunidades e promove o comércio, atravessando fronteiras em busca de oportunidades. Isso é diplomacia económica das nossas mulheres”, disse.
Apesar da força feminina, persistem desafios graves. Indicadores nacionais e globais apontam que menos de 5% dos países atingem igualdade económica plena e que uma em cada três mulheres sofre algum tipo de violência, incluindo a digital.
Em Moçambique, a participação da mulher no sector formal ainda é limitada, com muitas actuando em empregos vulneráveis, como trabalho doméstico ou agricultura informal.
“O combate à violência contra a mulher deve ser responsabilidade de todos. Todos nós devemos denunciar e proteger as nossas comunidades”, alertou.
A directora ressaltou ainda o papel estratégico da diplomacia económica para abrir portas internacionais às mulheres empreendedoras.
“A diplomacia económica gera oportunidades internacionais e permite que as mulheres se transformem e fundem negócios que fortalecem a economia”, afirmou.
Segundo Muenda, a CTA promove missões empresariais, acesso a financiamento com juros bonificados e capacitação empresarial, além de iniciativas de promoção de produtos de mulheres no mercado global.
“As mulheres precisam de poder económico real, e não apenas inclusão simbólica. Quando uma mulher cresce, uma família e uma comunidade prosperam”, acrescentou, tendo sublinhado a localização geográfica estratégica e recursos naturais do país, que podem sustentar o desenvolvimento económico.
No entanto, para que as mulheres consolidem o seu papel transformador, é necessário reforçar políticas de igualdade, combater barreiras estruturais e ampliar oportunidades concretas de participação económica e liderança.
“O país é rico em potencial, mas precisamos garantir que as mulheres tenham acesso e espaço para se desenvolverem plenamente”, afirmou.
(AIM)
NL/ sg
