Maputo, 19 de Fevereiro (AIM/AGI) – A Presidente do Conselho de Ministros de Itália, Giorgia Meloni, deslocou-se à capital etíope para uma missão diplomática de elevado simbolismo político, relançando o Plano Mattei e afirmando a centralidade do eixo Itália-África na estratégia externa de Roma.
Em dois dias de intensa agenda, Meloni participou na Cimeira Itália-África e, posteriormente, na 39.ª sessão da União Africana, consolidando o objectivo de transformar o Plano Mattei de iniciativa nacional em estratégia multilateral, envolvendo parceiros europeus, o G7, instituições financeiras internacionais e agências das Nações Unidas.
A chefe do Governo italiano definiu o Plano Mattei como “um pacto entre nações livres”, sublinhando uma abordagem de cooperação horizontal, afastada de modelos paternalistas do passado. Energia, infra-estruturas, água, agricultura, saúde e educação mantêm-se como pilares estruturantes.
Para 2025, Itália prevê mobilizar 1,3 mil milhões de euros destinados a fundos para África e instrumentos financeiros climáticos, aumentando igualmente o número de intervenções previstas de nove para catorze. O capital humano surge como eixo essencial da estratégia, com reforço da educação e da formação profissional como instrumentos para consolidar lideranças africanas e promover desenvolvimento sustentável.
A parceria com a Nigéria assume relevo particular. Está previsto, em Junho, um encontro em Roma entre Meloni e o Presidente nigeriano, Bola Tinubu, com foco na educação e formação técnica.
Entre os projectos estratégicos discutidos figura o Corredor do Lobito, infra-estrutura logística considerada fundamental para a integração económica da África Austral, para a gestão dos fluxos migratórios e para o reforço da segurança energética.
O Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, manifestou sintonia com a visão italiana, apontando convergências em matéria de desenvolvimento sustentável, inovação tecnológica e gestão das migrações.
Também o Presidente angolano, João Lourenço, destacou o papel de responsabilidade de Itália no Mediterrâneo e sublinhou a necessidade de investir na formação da força de trabalho africana como resposta estruturada ao fenómeno migratório.
No segundo dia da missão, durante a sessão da União Africana, o tema central foi a segurança hídrica. A organização proclamou 2026 como Ano Internacional do Acesso Sustentável à Água e ao Saneamento, no âmbito da Agenda 2063.
Meloni reafirmou a interdependência estratégica entre Europa e África, declarando que “o nosso futuro depende do vosso”, numa clara mensagem de compromisso político de longo prazo.
O Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, classificou a água como recurso essencial para a paz, enquanto o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu maior representação africana nos mecanismos de governação global.
A deslocação de Meloni confirma o Plano Mattei como pedra angular da política externa italiana e instrumento de posicionamento europeu no continente africano. Roma procura afirmar uma presença estável e estruturada, conjugando desenvolvimento sustentável, segurança energética e interesses nacionais, num quadro declarado de cooperação equitativa.
A mensagem política é clara, Itália quer ser protagonista numa nova fase das relações euro-africanas, ancorada numa parceria estratégica e num compromisso de longo prazo.
(AIM)
