Presidente moçambicano, Daniel Chapo, discursa na qualidade de honra na abertura da IV Conferência Internacional de Investimento do Quénia
Maputo (Moçambique), 25 Mar (AIM) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, defendeu hoje, na capital queniana Nairobi, que África deve abandonar o modelo assente na exportação de matéria-prima e assumir um novo posicionamento na economia global, baseado na industrialização, inovação e criação de valor acrescentado.
Intervindo na abertura da IV Conferência Internacional de Investimento do Quénia, Chapo sublinhou que o actual contexto económico internacional oferece oportunidades para o continente redefinir o seu papel no sistema global.
“O que está em causa neste fórum, não é apenas a promoção de oportunidades de investimento, é a redefinição do papel de África na economia global”, afirmou, acrescentando que “Moçambique se apresenta aqui como parceiro estratégico nesta transformação continental entre os nossos países e o mundo”.
O estadista destacou que Moçambique está a acelerar a transformação digital, criando condições para parcerias em áreas como inclusão financeira digital, plataformas tecnológicas, governo electrónico e ecossistemas de inovação.
Referiu, neste âmbito, a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, como resposta à crescente dinâmica tecnológica.
No sector energético, Chapo sublinhou a convergência de visão entre Moçambique e o Quénia no domínio da transição energética.
“No domínio das energias renováveis, os nossos países, Moçambique e Quénia, partilham uma visão comum de transição energética”, afirmou.
O Presidente destacou o potencial hidroeléctrico de mais de 12 mil megawatts, com destaque para a Barragem de Cahora Bassa e o projecto da Central Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, ambas na província de Tete.
Apontou igualmente as reservas de gás natural superiores a 180 triliões de pés cúbicos na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, posicionando o país entre os maiores detentores mundiais deste recurso.
“Neste momento”, disse Chapo, “estamos com grandes investimentos de quatro projectos, dois liderados pela Eni, italiana, com investimentos de cerca de 15 biliões de dólares; o terceiro projecto, que é liderado pela TotalEnergies, francesa, de cerca de 15 biliões de dólares; e o último projecto, liderado pela ExxonMobil, de cerca de 20 biliões de dólares”.
“Estamos a falar, nos próximos anos, de investimentos de cerca de 50 a 60 biliões de dólares em Moçambique no sector de gás”, afirmou.
O Chefe de Estado destacou ainda a mina de grafite de Balama, em Cabo Delgado, como um dos maiores depósitos mundiais, essencial para o desenvolvimento de tecnologias ligadas à mobilidade eléctrica.
“Este posicionamento permite-nos não apenas garantir segurança energética, mas também apoiar o desenvolvimento de novas indústrias, incluindo a mobilidade eléctrica e a produção industrial de baixo carbono”, disse.
Chapo reiterou o compromisso de Moçambique em criar um ambiente de investimento competitivo e atractivo, em estreita cooperação com países parceiros, incluindo o Quénia.
O Presidente participou no evento a convite do seu homólogo queniano, William Ruto.
(AIM)
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