Maputo, 24 Jul (AIM) – A Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique (APIEX) defendeu, hoje, em Maputo, o aprofundamento da cooperação económica e comercial entre Moçambique e a China, com prioridade para investimentos que impulsionem a industrialização.
O novo estágio deve ficar no desenvolvimento de infra-estruturas, a transformação local de matérias-primas e a criação de emprego.
A posição foi apresentada pelo director-geral da APIEX, Luís Machava, na abertura do 17.º Encontro Empresarial para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que reuniu representantes governamentais, instituições de promoção comercial, empresários e investidores.
Na ocasião, Machava afirmou que chegou o momento de elevar a parceria bilateral a um novo patamar, privilegiando investimentos que promovam a transferência de tecnologia, a inovação, a capacitação de recursos humanos e o fortalecimento da base industrial moçambicana.
“Hoje procuramos elevar esta cooperação a um novo patamar, privilegiando investimentos que promovam a industrialização, a criação de infra-estruturas estratégicas, a transformação local de matérias-primas, a transferência de tecnologia, a inovação, a capacitação de recursos humanos e a criação de emprego”, declarou.
Segundo o responsável, a cooperação entre a China, Moçambique e os restantes países de língua portuguesa deve evoluir para uma fase assente em parcerias empresariais capazes de gerar valor acrescentado, fortalecer cadeias de valor e estimular o comércio.
“Este encontro constitui uma oportunidade privilegiada para aproximar os empresários da China e dos países de língua portuguesa, identificar novas oportunidades de cooperação empresarial, fortalecer cadeias de valor, estimular o comércio bilateral e multilateral e estabelecer parcerias duradouras que beneficiarão os nossos países e os nossos povos”, afirmou.
Machava recordou que a China é actualmente um dos principais parceiros económicos dos países de língua portuguesa, desempenhando um papel relevante na promoção do comércio, do investimento, da industrialização, das infra-estruturas e da inovação tecnológica.
No caso de Moçambique, sublinhou que as relações com a República Popular da China assentam numa longa tradição de amizade, solidariedade e cooperação mutuamente vantajosa, com resultados visíveis em sectores como infra-estruturas, agricultura, indústria e energia.
O director-geral da APIEX considerou que o investimento chinês consolidou a posição da China como parceiro estratégico de Moçambique, defendendo que a cooperação futura deve concentrar-se em iniciativas que contribuam para a transformação estrutural da economia nacional.
Neste contexto, reiterou que o País pretende reduzir a dependência da exportação de matérias-primas em bruto, apostando na sua transformação local para aumentar o valor acrescentado, criar empregos qualificados e reforçar a competitividade da economia.
“Queremos deixar de ser, de forma predominante, exportadores de matérias-primas brutas para nos afirmarmos como uma economia capaz de transformar os seus recursos, gerar emprego qualificado, impulsionar a inovação e fortalecer a competitividade dos produtos moçambicanos nos mercados internacionais”, afirmou.
Entre os recursos com maior potencial para processamento interno, destacou o gás natural, os minerais críticos, a madeira e os produtos agrícolas, defendendo que a industrialização permitirá gerar maiores benefícios económicos para o País e para as comunidades.
Machava apelou igualmente ao empresariado nacional para assumir um papel mais activo nas oportunidades geradas pela cooperação internacional, defendendo uma maior participação do sector privado nos investimentos.
“O nosso objectivo é que os nossos empresários sejam parte do investimento. É isso que vai transformar a nossa economia”, sublinhou.
Por sua vez, o vice-presidente do Conselho para a Promoção do Comércio Internacional da China, Liu Jiannan, destacou o crescimento da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa nas últimas décadas.
Segundo o dirigente chinês, o intercâmbio comercial e empresarial registou avanços significativos, graças ao papel desempenhado pelas instituições de promoção comercial na aproximação entre empresas e na criação de novas oportunidades de negócio.
Liu Jiannan referiu ainda que os actuais mecanismos de cooperação têm facilitado encontros empresariais, contactos comerciais e o desenvolvimento de projectos nas áreas de infra-estruturas, equipamentos, comércio e tecnologia.
Defendeu, por isso, o aprofundamento da cooperação baseada em benefícios mútuos, através do reforço das ligações empresariais e da identificação de novas áreas de parceria entre a China e os países de língua portuguesa.
O 17.º Encontro Empresarial para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa decorre sob o lema “Investimento em Infra-estruturas Logísticas como Motor de Desenvolvimento”, reunindo actores públicos e privados para debater oportunidades de investimento e reforço da cooperação económica.
(AIM)
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