Maputo, 9 de Julho (AIM) – Mais de 500 empresas lideradas por mulheres deverão participar na II edição do Fórum Económico da Mulher, uma iniciativa que pretende afirmar-se como uma plataforma de diálogo e concertação para enfrentar os principais desafios que condicionam a participação feminina na economia moçambicana.
O evento, marcado para a segunda quinzena de Outubro, em Maputo, deverá reunir cerca de 1.500 empresárias, representantes do Governo, sector privado, academia, parceiros de cooperação e organizações da sociedade civil, com o propósito de identificar soluções para o fortalecimento do empreendedorismo feminino e da liderança económica das mulheres.
Na cerimónia de lançamento do Fórum, realizada hoje, a coordenadora do Consórcio do Fórum Económico da Mulher, Eulália Nhatitima, defendeu que chegou o momento de as mulheres reforçarem a cooperação, partilharem conhecimentos e experiências e construírem uma visão comum para o desenvolvimento do País.
Segundo afirmou, esta não deve ser encarada apenas como uma causa das mulheres, mas como um compromisso nacional, numa fase em que Moçambique procura consolidar um novo ciclo de crescimento económico.
Para Nhatitima, o fortalecimento económico da mulher exige uma acção coordenada entre o Estado, o sector privado, a academia, os parceiros de cooperação e a sociedade civil.
“Precisamos de políticas públicas que promovam a igualdade de oportunidades. Precisamos de instituições financeiras que apostem no empreendedorismo feminino e de empresas que valorizem a liderança da mulher e promovam a equidade nos seus quadros de decisão”, afirmou.
Defendeu igualmente maiores investimentos na educação, inovação, qualificação profissional e acesso ao financiamento, considerando que o empoderamento económico feminino constitui um instrumento para alcançar objectivos mais amplos de desenvolvimento.
“Quando uma mulher conquista autonomia económica, investe na educação dos seus filhos, melhora a saúde da sua família, gera rendimento, cria emprego e multiplica oportunidades. Quando as famílias vivem com dignidade, a sociedade torna-se mais estável e Moçambique sai fortalecido”, sublinhou.
Por seu turno, a directora executiva da Confederação das Associações Económicas (CTA), Teresa Muenda, afirmou que a realização da segunda edição do Fórum representa o reconhecimento de que nenhuma economia consegue atingir todo o seu potencial enquanto persistirem obstáculos que limitam a participação das mulheres na actividade económica.
Muenda recordou que as Micro, Pequenas e Médias Empresas representam cerca de 98 por cento do tecido empresarial moçambicano e asseguram aproximadamente 86 por cento do emprego nacional, sendo uma parte significativa destas empresas criada e gerida por mulheres, sobretudo nos sectores do comércio, agricultura, agro-processamento, turismo, indústria alimentar e prestação de serviços.
Apesar deste contributo, observou, milhares de empresárias continuam confrontadas com dificuldades estruturais, entre as quais o reduzido acesso ao financiamento, exigências elevadas de garantias bancárias, limitada literacia financeira e digital e fraca integração nas cadeias de valor.
Perante este cenário, Teresa Muenda considerou que o Fórum deve afirmar-se como um espaço de construção de soluções concretas e de promoção de políticas capazes de criar um ambiente mais favorável ao crescimento das empresas lideradas por mulheres.
O II Fórum Económico da Mulher tem como embaixador o antigo Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, e pretende consolidar-se como uma plataforma permanente de diálogo, inovação, investimento e acção em prol da inclusão económica feminina e do desenvolvimento sustentável de Moçambique.
(AIM)
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