Ministro da Saude, Ussene Isse. Ministro da Saude. Foto arquivo
Maputo, 14 Jul (AIM) – O Governo moçambicano pretende expandir a rede de Bancos de Leite Humano para as regiões Centro e Norte do país, no quadro do reforço da cooperação com o Brasil no sector da saúde.
A intenção foi manifestada segunda-feira, em Maputo, pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, à margem do lançamento da primeira Escola de Saúde Pública (ESP) de Moçambique, evento que contou com a presença do ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha.
Segundo Isse, a expansão dos Bancos de Leite Humano constitui uma das áreas que Moçambique pretende desenvolver com o apoio brasileiro, tendo em conta o impacto desta intervenção na promoção do aleitamento materno e na sobrevivência infantil.
“Colocamos aqui a necessidade, como país, de expandirmos o Banco de Leite Humano. Como sabe, é uma intervenção extremamente importante para salvar crianças”, afirmou o ministro.
O governante explicou que o objectivo é levar esta experiência às regiões Centro e Norte do país, reforçando uma iniciativa já existente no Hospital Central de Maputo (HCM) com apoio da cooperação brasileira.
Além desta componente, Moçambique apresentou ao Brasil outras áreas prioritárias de cooperação, incluindo a produção local de medicamentos, vacinas e insumos médicos, o fortalecimento do Instituto Nacional de Saúde, a saúde digital, a criação de um centro de hemoderivados e o reforço da resposta nacional ao cancro.
Durante a visita do ministro brasileiro, Moçambique e Brasil assinaram um memorando de entendimento entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Brasil e a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos de Moçambique, para o reforço da capacidade regulatória do país.
Segundo Isse, o acordo permitirá beneficiar da experiência brasileira na área regulatória, contribuindo para melhorar o controle da qualidade dos medicamentos e outros produtos de saúde que entram no mercado nacional.
“O Brasil tem uma experiência enorme nesta componente e vai continuar a dar o nosso apoio para ver se alcançamos o mais rápido possível o nível de maturidade três, que é uma qualificação da Organização Mundial da Saúde”, disse.
O nível de maturidade três da Organização Mundial da Saúde (OMS) representa um estágio de desenvolvimento das autoridades reguladoras nacionais, com vista a garantir sistemas mais robustos de controlo e fiscalização de medicamentos.
Por sua vez, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, afirmou que a cooperação entre os dois países entra numa nova fase, baseada na troca de experiências e no fortalecimento dos sistemas públicos de saúde.
“Queremos trocar essa experiência com Moçambique para aprender mais ainda com a realidade de Moçambique e poder interagir com experiências que podem ser positivas para Moçambique também”, afirmou Padilha, referindo-se particularmente à área do cancro.
O ministro brasileiro destacou ainda a importância da saúde da mulher, apontando o combate ao cancro do colo do útero como uma das áreas onde o Brasil pretende partilhar conhecimento com Moçambique.
“Para nós, para o Governo do Presidente Lula, a saúde da mulher é uma prioridade absoluta”, declarou.
A inauguração da Escola de Saúde Pública foi considerada pelos dois países um marco na cooperação bilateral, abrindo espaço para novas iniciativas de formação, assistência técnica e fortalecimento institucional no sector da saúde.
(AIM)
SNN/mz
