Maputo, 30 Set (AIM) – O mercado cambial moçambicano registou um elevado volume de compra e venda de divisas entre Janeiro e Agosto de 2026, com os bancos comerciais a comprarem 5,73 mil milhões de dólares norte-americanos e a venderem 5,65 mil milhões de dólares aos seus clientes, segundo dados divulgados esta quarta-feira hoje pelo Banco de Moçambique (BM).
O Governador do BM e presidente do Comité de Política Monetária (CPMO), Felisberto Navalha, explicou que o dinamismo do mercado cambial tem sido impulsionado, sobretudo, pela execução de projectos de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma e pelo desempenho da indústria extractiva, num contexto de relativa estabilidade cambial.
Os dados mostram um crescimento significativo das operações cambiais. No período em análise, as compras de divisas pelos bancos aumentaram em 724 milhões de dólares, enquanto as vendas aos clientes cresceram em 593 milhões de dólares.
Para o Banco de Moçambique, o comportamento do mercado cambial reflecte a actividade económica associada aos grandes projectos e à indústria extractiva, sectores que continuam a gerar uma procura considerável por operações em moeda estrangeira.
Apesar do elevado movimento no mercado cambial, o funcionamento do mercado financeiro continua condicionado pela persistência de atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa.
Navalha afirmou que os atrasos, incluindo os pagamentos devidos a instituições financeiras nacionais e a credores multilaterais, têm contribuído para uma menor apetência por títulos, rigidez das taxas de juro no Mercado Monetário Interbancário e maior percepção de risco.
A dívida pública interna, excluindo contratos de mútuo e de locação e obrigações relacionadas com prejuízos causados por atrasos injustificados, situava-se em 546,5 mil milhões de meticais.
Segundo o governador, este aumento constitui igualmente uma fonte de pressão sobre a liquidez do sistema bancário.
O Banco de Moçambique considera que permanecem elevados os riscos e as incertezas associados às perspectivas económicas e à evolução da inflação.
No plano interno, as principais incertezas estão relacionadas com os efeitos da inflação importada, a evolução do endividamento público e o impacto dos choques climáticos.
No cenário externo, o CPMO acompanha os efeitos das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa sobre os fluxos comerciais, a oferta global de bens e os preços internacionais dos combustíveis e dos alimentos.
Perante este quadro, o CPMO reafirma o compromisso de assegurar a estabilidade de preços, considerando igualmente necessária a adopção de medidas de consolidação fiscal e de reformas estruturais.
Estas reformas deverão contribuir para reforçar a confiança nos mercados, melhorar o ambiente de negócios, mobilizar recursos financeiros externos, aumentar a produção e promover a criação de emprego.
O CPMO continuará a acompanhar a evolução das principais condições e variáveis económicas nacionais e internacionais com potencial impacto sobre a economia moçambicana.
A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária está marcada para 25 de Novembro de 2026.
(AIM)
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