Chimoio, 09 Out (AIM) – O reitor da Universidade Católica de Moçambique (UCM), Filipe Sungo, defendeu sexta-feira, em Chimoio, província de Manica, que os recursos minerais do país devem contribuir para a geração de riqueza e o desenvolvimento nacional, em vez de estarem associados a conflitos e à perda de vidas humanas.
Sungo falava durante a cerimónia de graduação de 302 estudantes, entre licenciados e mestres, formados pela UCM.
O reitor destacou o potencial da província de Manica, apontando os recursos hídricos, as condições climáticas, os solos, as montanhas e a localização geográfica nos corredores da Beira e de Tete como factores relevantes para o desenvolvimento da região.
Na sua intervenção, manifestou preocupação com a morte de pessoas em desabamentos de minas de extracção artesanal de ouro, tendo recordado dois acidentes ocorridos na zona de Seis Carros, distrito de Vanduzi.
Segundo Filipe Sungo, na madrugada de 10 de Setembro, o desabamento de uma mina artesanal de ouro naquela zona provocou a morte de pelo menos seis pessoas, na sua maioria jovens. Em Abril deste ano, um acidente semelhante no mesmo local tinha causado a morte de 11 pessoas.
“Hoje, ao celebrarmos o futuro de tantos jovens, não queremos esquecer as vidas interrompidas naquela mina, nem as famílias que continuam a chorar a sua perda”, afirmou.
O reitor defendeu o apuramento das causas dos acidentes e a divulgação das respectivas conclusões, com vista à prevenção de novas ocorrências. Acrescentou que a universidade está disponível para prestar apoio técnico nesse processo.
Sungo referiu ainda que a mineração artesanal está associada a factores socioeconómicos, nomeadamente à pobreza, ao desemprego juvenil e à falta de alternativas de rendimento para as famílias.
“Quem desce a uma mina durante a noite, sem condições de segurança, raramente o faz por imprudência. Fá-lo, na maior parte dos casos, porque não encontra outra forma de alimentar a sua família”, declarou.
O responsável manifestou igualmente preocupação com o envolvimento de crianças na mineração artesanal. Recordou que, no ano passado, órgãos de comunicação social noticiaram casos de centenas de alunos, maioritariamente com idades entre os seis e os 15 anos, que tinham abandonado as aulas para se dedicarem à actividade.
Na altura, segundo o reitor, o sector da Educação procurou inverter a situação através do envolvimento das famílias, dos conselhos de escola e de outros intervenientes.
Sungo reiterou a disponibilidade da UCM para colaborar com o Governo na procura de soluções para os problemas relacionados com a mineração artesanal e a falta de condições de segurança nas minas.
Por seu turno, o secretário de Estado na província de Manica, Lourenço Lindonde, apelou aos graduados para aplicarem os conhecimentos adquiridos durante a formação na resolução dos problemas do país e na promoção do desenvolvimento nacional.
“Hoje, encerram um ciclo das vossas vidas académicas e abrem outro. Por isso, o país conta convosco no processo de desenvolvimento. Com o vosso saber, contribuam para o progresso do país”, afirmou Lindonde.
O governante acrescentou que os graduados devem assumir a responsabilidade de transformar os conhecimentos adquiridos em soluções para os desafios que Moçambique enfrenta.
Os 302 graduados concluíram cursos de licenciatura em áreas como engenharias, agronomia, direito, economia e gestão, contabilidade e auditoria, administração pública, psicologia clínica, assistência social e ensino. Os novos mestres formaram-se em gestão educacional, contabilidade e auditoria, administração e gestão de negócios, direito administrativo e administração pública.
(AIM/Redacção)
