Chimoio (Moçambique), 10 Out (AIM) – O reitor da Universidade Católica de Moçambique (UCM), padre Filipe Sungo, defende que o diálogo político nacional inclusivo não pode ser apenas um exercício político ou discursivo, mas uma exigência ética e epistemológica que traga mudança nas mentalidades dos moçambicanos para uma convivência de paz, harmonia, unidade nacional e o progresso de Moçambique.
Sungo falava esta sexta-feira (10), na Cidade de Chimoio, província central moçambicana de Manica, durante a XIV cerimónia de graduação da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica de Moçambique (FENG) e a XII do Instituto de Ensino a Distância (IED).
No total, foram graduados 338 formados, sendo 306 do nível de licenciatura, 31 mestres e um doutorado. Destes, 203 são do sexo feminino e os restantes 135 homens.
No seu discurso, Sungo lembrou que num tempo em que debate público sobre o diálogo inclusivo em Moçambique tem suscitado posições divergentes, importa reafirmar, com serenidade e rigor académico, que o mesmo deve ser verdadeiramente inclusivo, abrangendo todos os estratos da sociedade.
“O verdadeiro diálogo inclusivo nasce da escuta – escuta do outro, da diferença e da realidade concreta do país. A Universidade Católica de Moçambique entende o diálogo inclusivo como um caminho para a reconciliação e de construção de uma cidadania partilhada, fundada na dignidade humana, na justiça e na corresponsabilidade social”, sublinhou.
Segundo o reitor, ser inclusivo é reconhecer que ninguém é dispensável na tarefa de edificar o bem comum.
“Por isso, a Universidade defende que o diálogo nacional só será fecundo se for alimentado por um espírito de verdade, respeito e compromisso com a diversidade das vozes que compõem a nação”, sublinhou Sungo, que acredita que o diálogo poderá trazer mudanças na forma de ser e estar do povo.
Em Moçambique, o diálogo político nacional entrou para a fase distrital, cujo objetivo é auscultar todos os estratos da sociedade, onde cada cidadão poderá dar o seu contributo para o alcance de uma paz efectiva e boa convivência entre os moçambicanos.
No entanto, na cerimónia de graduação, a faculdade de engenharia da UCM disponibilizou para o mercado de trabalho 31 graduados com o nível de mestrado e 114 em licenciatura e um doutorado, perfazendo um total de 146, dos quais 60 mulheres e 85 homens.
São graduados dos cursos de engenharia alimentar, engenharia civil, engenharia eletrotécnica, engenharia mecânica, agronomia, administração pública, direito, economia e gestão, psicologia clínica e assistência social e tecnologia da informação.
Os mestrados são em administração e gestão de empresas, gestão e administração educacional, direito administrativo, psicopedagogia e um doutoramento direito privado.
O Instituto de Educação ã distância graduou 192 licenciados, sendo 143 do sexo feminino e 49 masculinos licenciados em ensino de história, desenho, biologia, matemática, português, gestão ambiental, informática, administração pública, física, geografia e educação física.
Intervindo na ocasião, o Secretário de Estado na província de Manica, Lourenço Lindonde, desafiou aos graduados para serem os verdadeiros promotores da mudança para a construção de um Moçambique cada vez melhor.
“Hoje, entram para uma nova era com a conclusão dos vossos cursos e abre-se, diante de vós, um vasto horizonte na vossa história de vida e o governo espera de vós um contributo nas áreas em que foram formados, porque são estratégicas para o desenvolvimento do nosso país”, disse.
“Coloquem em prática os vossos conhecimentos”, desafiou Lindonde, felicitando a UCM por ter um número elevado de mulheres, “o que faz perceber que o ensino superior está cada vez mais envolvente no que diz respeito ao género.”
O governante referiu ser fundamental que os graduados apostem no uso das tecnologias que dão suporte ao conhecimento e, desta forma, contribuir no processo de desenvolvimento da província de Manica e de Moçambique, em geral.
“Apostem em cursos que são úteis para a província e o país. O vosso esforço, como instituições de ensino superior, é formar cidadãos íntegros e os graduados mostrarem que o ensino superior é um verdadeiro veículo de conhecimento na preparação do homem e o promotor do desenvolvimento, da paz e da construção do país”, recomendou.
A graduação também é um marco histórico por ter acontecido numa altura em que a UCM completa 30 anos da sua existência no país.
(AIM)
Nestor Magado (NM)/dt
