Maputo, 15 de Outubro (AIM) — O Uganda está a intensificar os esforços para atrair investimentos italianos e acelerar a industrialização da sua economia. A estratégia esteve no centro do primeiro Fórum de Negócios e Investimento Uganda-Itália, realizado em Roma, que reuniu representantes governamentais, empresários e investidores dos dois países para identificar oportunidades de cooperação económica.
Sob o lema «Libertar uma prosperidade partilhada», o encontro de dois dias procurou promover as exportações ugandesas, estabelecer parcerias empresariais e incentivar a instalação de empresas italianas no país africano, com destaque para os sectores agro-industrial, energético e farmacêutico. Escreve AGI.
A iniciativa foi organizada pela Embaixada do Uganda em Roma, em colaboração com a Confindustria Assafrica & Mediterraneo, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI ITPO), a Beck Italia e a Agência ICE. A primeira-ministra ugandesa, Robinah Nabbanja, participou nos trabalhos.
Durante a sua intervenção, Nabbanja apelou às empresas italianas para investirem directamente no Uganda, sobretudo na transformação do café e de outros produtos agrícolas.
A aposta visa aumentar o valor acrescentado da produção nacional, criar empregos e fortalecer as empresas locais, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas sem processamento industrial.
A chefe do Governo ugandês pediu igualmente que o país tenha uma posição prioritária no Plano Mattei, iniciativa italiana destinada a aprofundar a cooperação económica e estratégica com África.
Para mobilizar financiamento e concretizar projectos, Nabbanja convidou a Cassa Depositi e Prestiti, a SACE e a SIMEST a apoiarem parcerias capazes de expandir a produção local e gerar oportunidades de emprego.
O objectivo é transformar as relações diplomáticas em investimentos concretos, com benefícios económicos para os dois países.
A agro-indústria constitui uma das principais áreas de interesse, tendo em conta o potencial agrícola do Uganda e a experiência industrial italiana no processamento de alimentos e no desenvolvimento de tecnologias de produção.
A energia, incluindo as fontes renováveis, e a indústria farmacêutica também figuram entre os sectores prioritários. As necessidades de infra-estruturas e urbanização, bem como as oportunidades no turismo e na hotelaria, ampliam o campo de cooperação.
O Uganda pretende atrair empresas que instalem unidades produtivas no seu território, utilizando matérias-primas locais para abastecer o mercado interno e os países vizinhos.
A sua integração na Comunidade da África Oriental (CAO) e as oportunidades associadas à Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) constituem factores que poderão facilitar o acesso a mercados regionais e tornar o país mais atractivo para investidores estrangeiros.
A embaixadora do Uganda em Itália, Elizabeth Paula Napeyok, defendeu o reforço das relações comerciais e dos fluxos de investimento entre os dois países.
Por sua vez, Fabrizio Lobasso, director-geral adjunto para a Promoção do Sistema-País e a Internacionalização Económica do Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano, destacou as empresas conjuntas (joint ventures) como instrumento para aprofundar a cooperação económica.
O modelo permitirá, potencialmente, combinar o conhecimento dos mercados locais com a tecnologia, a experiência industrial e a capacidade empresarial italiana.
Com uma população jovem, recursos agrícolas e acesso a mercados regionais, o Uganda procura posicionar-se como destino para investimentos orientados para a produção e a transformação industrial.
A concretização desta estratégia dependerá, contudo, da capacidade de mobilizar financiamento, estabelecer parcerias sustentáveis e transformar as intenções anunciadas em projectos produtivos.
O fórum de Roma abre uma nova frente de aproximação económica entre os dois países. Para Kampala, o desafio é converter o interesse italiano em capital, tecnologia e empregos, acelerando a transformação da economia nacional.
(AIM)
