Maputo, 15 de Set (AIM), — A crescente procura por tecnologias avançadas para modernizar o sector mineiro está a abrir novas oportunidades de negócio na África Austral e a despertar o interesse de empresas italianas, que procuram reforçar a sua presença no continente africano.
O movimento ganhou expressão durante a Electra Mining Africa 2026, realizada no Centro de Exposições de Joanesburgo, onde uma delegação de empresas italianas apresentou soluções destinadas a responder aos principais desafios da indústria mineira, com destaque para a automação, electrificação, segurança, gestão de energia e modernização de infra-estruturas.
A participação foi organizada pela Agência Italiana para o Comércio Externo (ICE), em coordenação com a Embaixada de Itália em Pretória e o Consulado-Geral de Itália em Joanesburgo. Escreve AGI.
A missão empresarial reuniu representantes da Apeiroon, Bedeschi, BSTransfo, Diefenbach, Imet, Solexy, Telema e Thytronic, empresas especializadas em diferentes áreas tecnológicas ligadas à indústria e à mineração.
Entre as soluções apresentadas estão tecnologias para automação de sistemas de fornecimento de energia eléctrica e comunicação em ambientes de risco, transformadores de alta tensão, sistemas de filtragem e drenagem, manutenção de equipamentos e fornecimento de materiais e componentes para aplicações industriais.
Para as empresas italianas, a presença em Joanesburgo não se limita à procura de novos clientes. A estratégia passa também pela criação de parcerias com empresas sul-africanas, capazes de facilitar a entrada e expansão das tecnologias italianas noutros mercados da região.
A aposta ocorre num momento de recuperação das relações comerciais entre Itália e África do Sul, particularmente nos sectores ligados à mineração, construção e indústria.
Dados da ICE indicam que as exportações italianas para a África do Sul de máquinas destinadas à mineração e sectores relacionados deverão atingir cerca de 46,2 milhões de euros em 2025, contra aproximadamente 43 milhões de euros em 2024.
Nos primeiros seis meses de 2026, as exportações já alcançaram 26,2 milhões de euros, representando um crescimento de cerca de 21,9 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Sinal claro de recuperação”
O desempenho é interpretado pelas autoridades italianas como um indicador do renovado interesse empresarial pelo continente africano.
“A presença das empresas italianas de primeira linha na Electra Mining é um sinal claro de recuperação do interesse das empresas italianas pelo continente africano”, afirmou Massimiliano Tremiterra, director da ICE em Joanesburgo.
Segundo Tremiterra, a África Austral deve ser encarada como uma plataforma privilegiada para o acesso à África Subsaariana, sobretudo tendo em conta o crescimento do sector mineiro e a introdução de novas exigências relacionadas com segurança e protecção ambiental.
A estratégia italiana acompanha, assim, uma transformação que está a ocorrer dentro das próprias operações mineiras: empresas pressionadas a produzir mais, com maior segurança e menor impacto ambiental, procuram soluções tecnológicas capazes de modernizar infra-estruturas e aumentar a eficiência.
A dimensão do mercado ajuda a explicar a corrida dos fornecedores internacionais.
De acordo com a ICE, as importações sul-africanas de máquinas destinadas aos sectores da mineração e construção cresceram de 2,16 mil milhões de euros em 2024 para 2,31 mil milhões de euros em 2025.
A procura foi impulsionada principalmente por equipamentos como escavadoras, camiões de mineração e carregadoras, revelando a dimensão das necessidades de modernização da indústria sul-africana.
Mas as oportunidades identificadas pelas empresas italianas vão muito além da comercialização de equipamentos pesados.
A electrificação das operações mineiras, automação de processos, segurança dos trabalhadores, gestão da água e redução do impacto ambiental estão a ganhar peso nas decisões de investimento.
É precisamente neste espaço que a indústria italiana pretende posicionar-se: não apenas como fornecedora de máquinas, mas como parceira tecnológica para a transformação da indústria mineira.
Com cerca de 40 mil visitantes e mil expositores, a Electra Mining Africa consolidou-se como uma das principais montras para tecnologias e soluções destinadas ao sector mineiro na África Austral.
Para as empresas italianas, o verdadeiro desafio começa depois do encerramento da exposição: transformar contactos comerciais em contratos, investimentos e parcerias de longo prazo.
A África do Sul poderá funcionar como porta de entrada para uma estratégia regional mais ampla, permitindo às empresas italianas alcançar outros mercados africanos onde a procura por energia, automação, segurança, infra-estruturas e tecnologias mineiras continua a crescer.
A aposta italiana revela, por isso, uma mudança de perspectiva: a mineração africana já não é vista apenas como um mercado para equipamentos, mas como um campo estratégico para soluções tecnológicas de nova geração.
E, numa região onde a mineração continua a ser um dos principais motores económicos, quem dominar as tecnologias que tornam o sector mais eficiente, seguro e sustentável poderá conquistar uma posição privilegiada na próxima fase de transformação da indústria africana.
(AIM)
