Maputo, 29 Out (AIM) – Moçambique mantém sob controlo a população do gafanhoto-vermelho, com níveis actualmente abaixo do limiar indicado para desencadear operações de combate, enquanto defende o reforço da cooperação entre os países da África Central e Austral para prevenir invasões e proteger a produção agrícola.
A informação foi avançada hoje, em Maputo, pela directora nacional de Sanidade e Biossegurança, Antónia Vaz, e pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, à margem da abertura da 42.ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros da Organização Internacional para o Controlo do Gafanhoto-Vermelho na África Central e Austral (IRLCO-CSA).
Segundo Antónia Vaz, as primeiras acções de monitoria indicam uma população residente de cerca de dois a três gafanhotos por dez metros quadrados, nível que, de acordo com a responsável, se mantém abaixo do limiar de intervenção referido pelas autoridades.
“Das monitorias que já se iniciaram, nós estamos a falar de uma população residente de, mais ou menos, dois, três gafanhotos por dez metros quadrados, então a situação ainda está calma”, afirmou.
A responsável explicou que a vigilância continua a ser necessária, uma vez que a presença de populações residentes e as condições nas zonas de reprodução podem favorecer o aumento do número de insectos.
“Não podemos dizer com exactidão que não há risco, porque há sempre uma população residente”, advertiu, referindo que as equipas técnicas acompanham as áreas de eclosão e reprodução das pragas migratórias.
Em Moçambique, as principais zonas de eclosão do gafanhoto-vermelho situam-se nas planícies de Dima e Gorongosa, na província de Sofala. Já o pardal-de-bico-vermelho, outra ameaça à produção agrícola, ocorre sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza.
De acordo com Antónia Vaz, a monitoria permite detectar precocemente o aumento das populações de insectos e desencadear medidas de controlo antes da formação de bandos capazes de destruir culturas agrícolas e deslocar-se para países vizinhos.
A responsável destacou igualmente a existência de mecanismos regionais de alerta precoce, que permitem aos países membros partilhar informações sobre a evolução das pragas e coordenar as medidas preventivas.
Quando há necessidade de tratamentos aéreos, as populações residentes nas proximidades das zonas de eclosão são previamente informadas para se afastarem das áreas abrangidas pela pulverização.
Quanto aos meios de combate, Vaz afirmou que a organização dispõe de produtos para apoiar intervenções nos países em risco, sendo a aquisição assegurada pela própria instituição, mediante a mobilização dos recursos necessários.
A directora nacional de Sanidade e Biossegurança referiu ainda que, entre Outubro e Dezembro, as equipas intensificam a monitoria das áreas de nidificação do pardal-de-bico-vermelho, com vista a identificar a postura de ovos e intervir após a eclosão.
Em 2022, a província de Gaza registou uma população estimada em seis milhões de pardais-de-bico-vermelho, que provocaram danos significativos nas culturas agrícolas, segundo a responsável.
Na abertura da sessão da IRLCO-CSA, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, defendeu o reforço da coordenação entre os países membros, considerando que a capacidade de deslocação das pragas exige uma resposta regional articulada.
“Esta conjugação de esforços é particularmente importante, pois estas pragas não conhecem fronteiras e podem comprometer seriamente a produção agrícola, os meios de subsistência das populações rurais e a segurança alimentar dos nossos países”, afirmou.
O governante apelou à partilha atempada de informação, à coordenação das operações de controlo e à mobilização de recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros para reforçar a capacidade de resposta dos países afectados ou sob risco.
Albino destacou também a necessidade de manter a monitoria terrestre e aérea das áreas de reprodução, acompanhar a evolução das populações de gafanhotos e realizar operações de controlo sempre que se justifique.
O ministro defendeu ainda a manutenção de equipas técnicas nas zonas de risco e nas áreas limítrofes, para prevenir a dispersão das pragas para regiões de produção agrícola.
A 42.ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros da IRLCO-CSA deverá avaliar as actividades desenvolvidas no exercício de 2025/2026 e definir as prioridades e o plano de actividades para 2026/2027.
Na ocasião, Albino apelou à adopção de deliberações exequíveis, orientadas para o reforço da vigilância, a melhoria da capacidade de resposta e a garantia dos recursos necessários ao funcionamento da organização.
(AIM)
SNN/pc
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