Maputo, 01 Jun (AIM) – O Governo moçambicano vai investir cerca de 600 mil dólares norte-americanos na retoma da produção nacional de vacinas veterinárias.
A medida é considerada estratégica para reforçar a soberania sanitária e reduzir a dependência das importações num contexto de constrangimentos globais no fornecimento destes insumos.
O anúncio foi feito hoje, em Maputo, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, na abertura da Reunião Nacional de Sanidade Animal, que decorre sob o lema “Fortalecer a Sanidade Animal para Garantir a Saúde Pública e a Segurança Alimentar”.
“Prevemos um investimento de cerca de 600 mil dólares para a retoma da produção de vacinas contra o carbúnculo hemático e o carbúnculo sintomático, e para a preparação da produção da vacina contra a doença de Newcastle”, disse.
Explicou que a decisão surge num momento em que o mercado internacional enfrenta limitações na disponibilidade de vacinas veterinárias, situação que afecta vários países africanos e expõe a vulnerabilidade das cadeias globais de abastecimento.
“O mundo está perante uma crise global de sanidade animal. A disponibilidade de vacinas é muito limitada e isso obriga-nos a reforçar a nossa capacidade interna de produção”, afirmou.
O governante sublinhou que a dependência de importações tem condicionado a resposta atempada às campanhas de vacinação e ao controlo de doenças que afectam o efectivo pecuário nacional.
“Quando dependemos exclusivamente do mercado externo, ficamos expostos a atrasos logísticos e rupturas de stock que podem comprometer a saúde animal e a produção pecuária”, acrescentou.
Neste contexto, Albino defendeu que o investimento em sanidade animal não deve ser entendido como uma despesa corrente, mas sim como um investimento estruturante para a economia nacional.
“A sanidade animal não é uma despesa. É um investimento na economia, na saúde pública, na segurança alimentar e no futuro do país”, sublinhou.
O ministro destacou ainda que o subsector pecuário tem um papel fundamental na economia rural, contribuindo para a geração de rendimento, emprego e segurança alimentar de milhares de famílias moçambicanas.
A aposta na produção nacional de vacinas surge também como resposta à necessidade de garantir maior previsibilidade e autonomia do sistema veterinário, num contexto em que a escassez global de vacinas tem sido cada vez mais evidente.
Na mesma ocasião, a representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em Moçambique, Cláudia Pereira, reafirmou o apoio da instituição ao fortalecimento dos serviços veterinários e à melhoria das capacidades nacionais de prevenção e controlo de doenças animais.
Pereira destacou que a sanidade animal é determinante para a segurança alimentar, a saúde pública e a resiliência dos sistemas agro-alimentares, sublinhando a importância do investimento contínuo no sector.
A responsável defendeu o reforço da abordagem “Uma Só Saúde” (One Health), que integra a saúde animal, humana e ambiental, como resposta aos desafios crescentes associados às doenças zoonóticas, alterações climáticas e resistência aos antimicrobianos.
A Reunião Nacional de Sanidade Animal junta representantes do Governo, parceiros de cooperação, academia, sector privado e produtores, com o objectivo de discutir estratégias para o fortalecimento dos serviços veterinários no país.
(AIM)
SNN/mz
