Maputo, 24 de Mai (AIM) – A instabilidade político sócio-económica em África é um problema complexo e multifacetado, que se manifesta através de golpes de estado, conflitos armados, pobreza, desigualdades sociais e escassez de recursos.
São problemas que podem ser ultrapassados, através da inclusão de jovens nas agendas de paz e segurança, requisitos essenciais para atingir o desenvolvimento sustentável esperado.
A Secretária de Estado da Cultura, Matilde Muocha, falava este sábado no programa Linha Directa, da Rádio Moçambique, emissora nacional, referiu que, “é preciso investir na população juvenil africana, que é a maioria, para ser a produtora de progresso”.
“Não é de ignorar o número da população africana, bem como da população juvenil africana, na qual deve ser feito o investimento para que seja produtora de progresso”, acrescentou.
Destacou um fenómeno que considera preocupante, a falta de uma agenda comum, devido à falta de comunicação entre os povos africanos, que torna difícil a partilha de certos recursos, especialmente os básicos. “Não faz sentido que os países tenham conflitos ao nível da questão de acesso à água, enquanto alguns países tem este recurso em abundância”.
Já o representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Joaquim Chissano, disse que a paz e a segurança são as maiores prioridades de África, “pois, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, 50% das agendas de matérias conflituosas são sobre a África”.
“Sem paz e segurança não há desenvolvimento e, efectivamente, são necessárias para que possamos avançar em outras áreas de actividade humana, especialmente a área de educação”, explicou.
O académico e docente de Relações Internacionais, Cálton Cadeado, afirma que a unidade africana está fragilizada. “Hoje temos problemas de falta de coesão, como a fraca influência de África dentro das agendas. As disputas geopolíticas globais, por exemplo, criam espaços para fissuras entre nós africanos”.
Importa lembrar que, a última vez que um país africano de língua portuguesa presidiu a União Africana foi o ex-estadista moçambicano, Joaquim Chissano, em 2003.
O Dia da África é celebrado anualmente a 25 de Maio, data da fundação da Organização da Unidade Africana (OUA) em 1963, que posteriormente, em 2002, se tornou a União Africana (UA).
O 62° aniversário da efeméride é celebrado este ano sob o lema “Justiça para os Africanos e Pessoas de Ascendência Africana através de Reparações”, lema preparado pela Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (CADHP).
Nesta data é comemorada a unidade, a diversidade e o progresso do continente africano, bem como a luta pela independência e a luta contra a colonização.
(AIM)
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