Mulheres africanas
Lisboa, 13 Ago (AIM) – O papel da mulher africana na diáspora, em especial em Portugal, “continua a ser espaço de resistência, reinvenção cultural e solidariedade”.
Quem assim o reafirmou é a moçambicana Ana Massamba, membro da Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana (PADEMA) durante uma tertúlia que assinalou na capital portuguesa, Lisboa, o Dia da Mulher Africana.
A efeméride celebra-se anualmente em 31 de Julho. Esta data foi estabelecida em 1962, na Conferência das Mulheres Africanas, em Dar-es-Salaam, Tanzânia, para homenagear o papel crucial das mulheres africanas no desenvolvimento social, económico e cultural do continente.
“Aqui (na diáspora) as mulheres africanas e afrodescendentes assumem o papel de ponte entre o passado e o futuro de pertença plena”, sublinhou Ana Massamba, na presença de várias mulheres moçambicanas, angolanas, incluindo a jornalista e socióloga, Luzia Moniz, cabo-verdianas, bem como alguns homens convidados ao evento. Luzia Moniz é presidente e fundadora da PADEMA.
“São agentes de coesão social nas comunidades migrantes, erguem-se como lideranças associativas, educadoras, mediadoras, culturais e activistas anti-racismo, lutam pelo reconhecimento das identidades múltiplas, combatendo o racismo estrutural e exigindo políticas públicas inclusivas, cultivam a memória colectiva das lutas africanas, afirmando o valor das suas culturas, línguas e tradições em contextos marcados pela negação e invisibilidade”, disse Massamba.
De acordo com Ana Massamba, o Dia da Mulher Pan-Africana não é apenas uma celebração histórica, “mas o chamamento à acção contínua. É um apelo à valorização da mulher africana como protagonista das lutas de ontem, de hoje e do amanhã, tanto no continente como na diáspora”
“A sua força reside não apenas na resistência, mas na capacidade de construir futuros mais justos, democráticos e enraizados na dignidade humana”, acrescentou.
Papel da mulher nas lutas de libertação
É de recordar que desde as primeiras formas de resistência ao colonialismo europeu até ao surgimento dos movimentos de independência do século XX, as mulheres africanas estiveram na linha da frente das lutas pela liberdade.
Armadas de coragem, consciência política e determinação, as mulheres africanas participaram nas lutas de libertação como combatentes, mensageiras, mobilizadoras comunitárias, enfermeiras, estrategas e educadoras.
Nessas lutas, destacaram-se, entre outras, Josina Machel (Moçambique), Funmilayo Ransome-Kuti (Nigéria), Albertina Sisulo e Winnie Mandela (África do Sul), Nzinga Mbandi (Angola).
Estas mulheres não lutaram apenas contra o colonialismo, mas também contra estruturas patriarcais que as tentavam silenciar ou reduzir à condição de espectadoras das transformações sociais.
A organização da tertúlia, sob o lema “Cinquentenário das Independências – Mulheres Africanas: Que Futuro”?, pretendia assinalar o Dia da Mulher Africana, os 63 anos da fundação da Organização Pan-Africana das Mulheres (OPM) e os 50 anos das independências de Angola, Cabo Verde, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e 52 anos da Guiné-Bissau.
Moçambique assinalou o 50º aniversário da independência a 25 de Junho, enquanto Angola assinala a 11 de Novembro próximo.
(AIM)
DM
