Maputo, 23 de Set (AIM) — A luta por uma maior participação das mulheres no sector da cibersegurança ganhou um novo impulso em África com o lançamento, em Adis Abeba, do programa regional CyberTracks, uma iniciativa destinada a reforçar as competências de mulheres africanas numa área cada vez mais estratégica para a segurança dos Estados, das instituições e das infra-estruturas digitais.
Financiado com o apoio da Itália, o programa reúne 60 profissionais provenientes de mais de 29 países africanos e pretende criar uma rede de especialistas capazes de responder aos desafios crescentes colocados pelas ameaças cibernéticas no continente. Escreve AGI.
O lançamento contou com a presença do chefe de missão adjunto da Embaixada de Itália na Etiópia, Luca Carpintieri, e insere-se numa estratégia mais ampla de cooperação internacional para o desenvolvimento das capacidades digitais africanas.
Coordenado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), em parceria com a Alemanha, o CyberTracks combina formação técnica, conhecimento sobre regulamentação em matéria de segurança cibernética, oportunidades de capacitação e programas de mentoria individualizada com profissionais e dirigentes do sector.
Mais do que formar especialistas, o programa procura enfrentar um dos principais desafios da indústria tecnológica: a reduzida participação feminina.
Apesar do crescimento da presença das mulheres no sector, a cibersegurança continua a ser uma área predominantemente masculina. Dados citados no âmbito da iniciativa apontam para uma participação feminina de apenas 22% na força de trabalho mundial de cibersegurança.
Ao mesmo tempo que procuram conquistar espaço profissional no sector, as mulheres estão também entre os grupos particularmente expostos a diferentes formas de violência e ameaças no ambiente digital, incluindo assédio cibernético, violência online e doxxing — prática que consiste na divulgação pública de informações pessoais sem o consentimento da pessoa visada.
As barreiras começam, muitas vezes, no acesso à própria formação. A escassez de oportunidades de capacitação, a falta de modelos femininos que possam servir de referência e o conhecimento limitado sobre as possibilidades de carreira na área continuam a dificultar a entrada e a progressão das mulheres na cibersegurança.
Através da formação especializada, da mentoria e da criação de oportunidades de desenvolvimento profissional, a iniciativa procura ajudar a construir percursos de carreira sustentáveis e contribuir para um sector mais diversificado e inclusivo.
A aposta na formação de especialistas africanos ocorre num momento em que a transformação digital aumenta também a exposição dos países a riscos cibernéticos.
Instituições públicas, infra-estruturas críticas e serviços essenciais dependem cada vez mais de sistemas digitais, tornando a capacidade de prevenir, detectar e responder a ataques informáticos uma questão estratégica.
Neste contexto, iniciativas como o CyberTracks procuram ir além da formação individual. A aposta passa igualmente pela criação de recursos humanos especializados, pelo reforço das instituições e pela construção de redes de cooperação entre países africanos e parceiros internacionais.
Para a Itália, a formação e a partilha de competências constituem igualmente componentes da sua estratégia de diplomacia cibernética, conduzida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional.
A estratégia coloca entre as suas prioridades o reforço das competências digitais, a formação de pessoal especializado e o aprofundamento da cooperação internacional em matéria de segurança cibernética.
O CyberTracks surge, assim, como parte de uma cooperação internacional que procura responder a dois desafios simultâneos: a crescente necessidade de profissionais qualificados em cibersegurança e a ainda reduzida participação das mulheres neste domínio.
Ao reunir 60 profissionais de dezenas de países africanos, o programa pretende criar não apenas conhecimento técnico, mas também redes de contacto, oportunidades de mentoria e novas perspectivas de carreira.
Num continente em rápida transformação digital, a formação de uma nova geração de especialistas africanas em cibersegurança poderá representar uma componente importante dos esforços para proteger instituições, infra-estruturas e serviços públicos contra ameaças cada vez mais sofisticadas.
