Venâncio Mondlane. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 15 Ago (AIM) – O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos oficializou a criação do partido político do ex-candidato presidencial derrotado nas últimas eleições, Venâncio Mondlane.
O partido de Mondlane denomina-se Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA). No primeiro processo para a oficialização, Mondlane utilizou a sigla ANAMALALA para este partido. Este é um termo da língua emakhuwa, amplamente falada sobretudo no norte de Moçambique.
Um despacho datado de 28 de Maio, e assinado pelo ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, explica que a utilização de um termo em emakhuwa não podia ser utilizada como sigla partidária devido às suas proeminentes conotações “etnolinguísticas”.
A palavra, cujo significado resume-se em “Basta; Acabou” e, segundo as autoridades. Por isso, era contrária aos princípios da Constituição moçambicana e da Lei dos Partidos Políticos.
Proibir uma palavra em Emakhuwa não parece, certamente, “valorizar as línguas nacionais” nem promover o seu uso.
Durante as manifestações pós-eleitorais violentas, criminosas e ilegais, que eclodiram em meados de Outubro de 2024, prologando-se até Abril do ano corrente, “Anamalala” antecedeu uma espécie de grito de guerra utilizado por Mondlane e pelos seus apoiantes.
O despacho ministerial explicava ainda que não havia uma correspondência estrita entre o nome completo do partido e a sua sigla.
Assim, Mondlane encurtou a sigla para ANAMOLA, o que foi aceite pelo Ministério em despacho datado de 7 de Agosto.
Agora já não há obstáculos à publicação dos estatutos do novo partido no Boletim da República. Como partido político reconhecido, Anamola poderá participar em futuras eleições.
(AIM)
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