Maputo, 9 Set (AIM) – A Etiópia inaugurou oficialmente a Grande Barragem do Renascimento (GERD) na sigla em inglês, o maior projeto hidrelétrico de África, construído pela empresa italiana Webuild (antiga Salini-Impregilo) no rio Nilo Azul.
A infraestrutura tem capacidade instalada superior a 5.000 megawatts e deverá fornecer eletricidade a 35 milhões de pessoas, além de exportar o excedente para países vizinhos, consolidando o papel estratégico do país no setor energético regional.
A cerimónia de inauguração, realizada este fim de semana, foi presidida pelo Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, e contou com a presença de vários líderes africanos, incluindo os presidentes do Djibuti, Somália, Sudão do Sul e Quénia, bem como representantes da União Africana e das Nações Unidas. Escreve AGI.
Na sua intervenção, Abiy Ahmed classificou a inauguração como um marco histórico comparável à vitória de Adwa sobre as tropas coloniais italianas. “Hoje tornámo-nos a geração escolhida por Deus para escrever a história. A GERD é o maior megaprojeto da história de povos negros e simboliza uma nova era de prosperidade para a Etiópia e para África”, afirmou.
O governante destacou ainda que o empreendimento foi financiado quase integralmente por recursos internos, através de contribuições voluntárias, títulos nacionais e deduções salariais de funcionários públicos, reforçando a ideia de que se trata de “um projeto do povo para o povo”.
Segundo Pietro Salini, diretor-geral da Webuild, a barragem “triplicará a capacidade energética da Etiópia, com uma produção anual estimada de 15.700 GWh – o equivalente a três centrais nucleares”. O responsável sublinhou que o projeto foi possível graças à dedicação de milhares de trabalhadores etíopes: “Mais de 25 mil jovens foram formados e adquiriram competências que serão vitais para o futuro do país”.
O reservatório da GERD, com 172 quilómetros de extensão e capacidade para 74 mil milhões de metros cúbicos de água, é considerado o maior do continente. Para além da geração de energia, espera-se que a barragem impulsione a industrialização, melhore o acesso à eletricidade em zonas rurais e fortaleça as relações comerciais com países vizinhos, como Sudão e Quénia, que poderão importar energia etíope a preços competitivos.
Apesar de algumas tensões diplomáticas regionais em torno do uso das águas do Nilo, a inauguração da GERD é vista em Adis Abeba como símbolo de soberania e autossuficiência. “Este é um triunfo do povo etíope. Ninguém acreditava que fosse possível, mas a vontade de uma nação superou todas as dificuldades”, concluiu Ahmed.
Com esta megaestrutura, a Etiópia afirma-se como potência energética emergente em África, lançando as bases para uma transformação económica e social que poderá beneficiar milhões de pessoas no país e além-fronteiras.
(AIM)
