Crianca bebe agua. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 09 Out (AIM) – O Governo moçambicano pretende, até 2029, aumentar a cobertura nacional de abastecimento de água potável dos actuais 62 para 68 por cento, beneficiando mais de cinco milhões de pessoas, no quadro da consolidação das metas do presente quinquénio.
Paralelamente, o Executivo prevê elevar a cobertura de saneamento de 37 para 47,7 por cento, o que permitirá servir cerca de 5,7 milhões de cidadãos em todo o território nacional.
A informação foi avançada hoje, em Maputo, pelo ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, na abertura do XI Conselho Coordenador do sector, que decorre sob o lema “Reforçando mecanismos para uma urbanização planeada e construção de infraestruturas resilientes rumo a um desenvolvimento sustentável”.
Rafael explicou que o aumento da cobertura visa responder ao baixo nível de armazenamento de água potável, estimado em cerca de 59,2 mil milhões de metros cúbicos, agravado pela seca que tem assolado o país nos últimos anos.
“A capacidade de armazenamento de água a nível nacional continua bastante reduzida, situando-se em cerca de 59,2 mil milhões de metros cúbicos, o que representa apenas 30 por cento do escoamento médio anual. Se excluirmos a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), esta capacidade baixa para aproximadamente cinco por cento, o que evidencia a vulnerabilidade do país face aos fenómenos extremos”, sublinhou.
O ministro afirmou que o Executivo está fortemente empenhado na construção e reabilitação de infra-estruturas hidráulicas estratégicas, incluindo barragens, pequenas represas, diques e sistemas de retenção, com impacto directo nos sectores produtivos, sobretudo na agricultura e na indústria.
Entre as prioridades destacam-se as novas barragens estratégicas de Lócomuè (Niassa), Muera (Cabo Delgado) e Macuje (Nampula).
“Paralelamente, vamos massificar a construção de pequenas barragens e reservatórios escavados em zonas áridas e semiáridas, e proceder à reabilitação de diques de protecção nas bacias do Incomáti, Limpopo, Zambeze e Licungo”, acrescentou.
O dirigente revelou ainda que, durante o presente quinquénio, está prevista a elaboração do Acordo sobre o Rio Rovuma, com a Tanzânia e o Malawi, e a revisão do Acordo do Umbelúzi, com o Reino de Eswatini, de modo a reforçar a gestão conjunta e garantir os caudais ecológicos necessários ao equilíbrio ambiental e dos ecossistemas.
Entre as acções concretas, o Governo prevê construir 154 sistemas de abastecimento de água em todo o país, estabelecer 133 mil novas ligações domiciliárias nas cidades, vilas e zonas rurais, bem como construir e reabilitar três estações de tratamento, duas de águas residuais (Beira e Quelimane) e uma de lamas fecais (Tete).
“Prevemos igualmente reabilitar o sistema de drenagem e de protecção costeira da cidade da Beira, efectuar mais de seis mil ligações de esgoto e erguer 680 sanitários, entre públicos, escolares e hospitalares”, avançou Rafael.
De acordo com o ministro, a materialização destas acções irá contribuir para reforçar a segurança hídrica, dinamizar a actividade agrícola e pecuária, proteger famílias e infra-estruturas sociais e económicas, e melhorar a resposta aos efeitos das alterações climáticas.
“Continuaremos a expandir e modernizar a rede nacional de monitoria de recursos hídricos e o sistema de aviso prévio de cheias, de modo a tornar o nosso sistema nacional mais robusto, previsível e eficaz na gestão de riscos”, concluiu.
(AIM)
SNN / sg
