Águas das chuvas inundam cidade de Chókwè, província de Gaza. Foto de Ferhat Momade
Chókwè (Moçambique), 16 Jan (AIM) – A cidade de Chókwè e a vila sede de Guijá, na província de Gaza, sul de Moçambique, estão a ser engolidas pelas águas resultantes de chuvas intensas e, sobretudo, das descargas massivas da barragem de Massingir, elevando o risco de uma inundação de grandes proporções.
Perante o rápido avanço das águas, o Instituto Nacional de Gestão do Risco e Desastres (INGD) ordenou a evacuação compulsiva das populações residentes em zonas de risco até às 15 horas desta sexta-feira (16). No entanto, muitas famílias continuam a resistir à saída, expondo-se ao perigo iminente.
O drama das cheias começou a materializar-se nas primeiras horas desta quinta-feira, quando correntes de água visivelmente fortes invadiram bairros inteiros de Chókwè e Guijá. Ruas transformaram-se em autênticos canais, residências ficaram submersas e a população corre contra o tempo para salvar vidas e bens.
Por volta do meio-dia, a situação agravou-se com a submersão da ponte que liga Guijá a Chókwè, interrompendo completamente a circulação entre os dois pontos. Do lado de Guijá, o administrador distrital, Jaime Mugabe, confirmou à AIM que a ponte se encontra totalmente submersa, deixando a vila-sede isolada e agravando o quadro humanitário.
Nas principais artérias da cidade de Chókwè, camiões superlotados transportam pessoas, animais e os poucos haveres possíveis para zonas mais altas, com destaque para o Centro de Acolhimento de Chiaquelane e para centros transitórios instalados no posto administrativo de Lionde.
Apesar disso, muitas famílias continuam nas suas casas, algumas recusando-se a abandonar as áreas inundadas, chegando mesmo ao extremo de se refugiarem nos tectos das residências.
A actividade económica encontra-se completamente paralisada. Mercados, lojas e serviços encerraram portas, enquanto o medo domina a população, que revive memórias dolorosas das cheias históricas de 1977 e 2000.
No terreno, o delegado provincial do INGD acompanha de perto a evolução da situação e reforça, de forma insistente, o apelo à retirada imediata das zonas críticas. Em declarações à AIM, a fonte advertiu que Chókwè corre um risco real de ficar totalmente alagada caso se mantenham as chuvas intensas e as descargas das barragens a montante.
A principal origem desta inundação está na barragem de Massingir, localizada no rio dos Elefantes, principal afluente do Limpopo. Neste momento, a infra-estrutura encontra-se com todas as comportas abertas, incluindo o descarregador principal, com uma capacidade de escoamento de 9.600 metros cúbicos por segundo pelo facto de ter atingido o limite da sua capacidade de armazenamento.
Apesar das descargas em curso, o nível da albufeira continua a subir, situando-se actualmente na cota 127 metros, quando o coroamento da barragem é de 131 metros.
As próximas horas são consideradas decisivas e potencialmente dramáticas, levando as autoridades a reforçarem o apelo à evacuação imediata das populações em risco.
(AIM)
Paulino Checo/sg
