Centro de acomodacao das vitimas das cheias em Chiaquelane no Distrito de Chokwe na Provincia de Gaza. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 20 Jan (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que a prioridade do Governo é salvar vidas face às cheias e inundações que continuam a afectar várias regiões de Moçambique, sobretudo nas zonas centro e sul, apelando à união nacional e à mobilização solidária de cidadãos e empresas.
O Chefe de Estado falava esta terça-feira (20), em Maputo, durante um encontro com representantes do sector privado, no âmbito do Alerta Vermelho decretado pelo Governo devido às chuvas intensas e inundações severas que assolam o país.
“Neste momento, a nossa prioridade é salvar vidas, porque estamos numa fase em que a ocorrência das cheias e inundações ainda está em curso e está a causar danos enormes um pouco por todo o país”, afirmou.
Daniel Chapo sublinhou a importância da partilha de informação oficial para garantir uma resposta coordenada e eficaz.
“Achámos que era importante convocar este encontro para termos uma informação clara sobre o nível em que nos encontramos e estarmos a par dos dados oficiais sobre os danos que estas cheias e inundações estão a causar, para que cada um de nós possa ver o que pode fazer”, disse, defendendo a união permanente dos moçambicanos para minimizar os impactos da calamidade.
O Presidente alertou igualmente para o risco de eclosão de doenças nos centros de acomodação, devido à elevada concentração de pessoas. “É muita gente no mesmo sítio e pode haver a eclosão de doenças hídricas, como a cólera, a malária e as diarreias. As pessoas podem perder a vida depois de terem sido salvas”, advertiu, acrescentando que cerca de 91 mil pessoas se encontram actualmente acolhidas em 68 centros, maioritariamente instalados em escolas e salas de aula.
No plano logístico, Chapo explicou que o Governo está a adoptar soluções alternativas para garantir a circulação de pessoas e bens, face à interrupção de alguns troços da Estrada Nacional Número Um (EN1).
“Estamos a assegurar uma ponte aérea para ligar Maputo a Chókwè, ao Aeroporto Internacional de Xai-Xai, bem como a Inhambane e Vilanculos, com preços especiais e promocionais, para permitir que as pessoas consigam efectuar essas ligações”, precisou.
O Chefe de Estado apelou ainda à solidariedade material, sublinhando que o apoio às vítimas não deve limitar-se a contribuições financeiras. “Não queremos apenas dinheiro, queremos também bens não perecíveis, comida e roupa”, disse, encorajando a mobilização das empresas e das famílias.
“Aquilo que temos em casa e já não usamos pode fazer a diferença, porque esta população perdeu tudo e não tem nada”, acrescentou.
Por seu turno, a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, apresentou um balanço actualizado dos impactos das cheias desde o início da época chuvosa, em Outubro de 2025.
Segundo a responsável, mais de 605 mil pessoas foram afectadas, correspondentes a 122.833 famílias, tendo sido registados 112 óbitos, 99 feridos e três desaparecidos.
“As chuvas registadas a partir do dia 21 de Dezembro, na zona centro, foram normais a acima do normal e, desde então, temos vindo a registar impactos em várias províncias do país”, explicou Meque, acrescentando que os dados continuam a ser actualizados, uma vez que a época chuvosa ainda decorre.
No que respeita às infra-estruturas, o INGD registou a destruição parcial de 11.233 casas, a destruição total de 4.883 e a inundação de 73.334 habitações. Foram igualmente afectadas 56 unidades sanitárias, 44 casas de culto, 462 salas de aula, 25 pontes e cerca de 4.908 quilómetros de estradas.
No sector agrícola, perderam-se 334.521 animais e 104.621 hectares de culturas, afectando mais de 122 mil agricultores. Registaram-se ainda danos em 115 embarcações e 3.200 artes de pesca, bem como na rede eléctrica, com 155 postes tombados e 15 linhas de transporte de energia interrompidas.
Relativamente ao acolhimento da população deslocada, Luísa Meque informou que se encontram activos 68 centros de acomodação, que albergam actualmente 91.310 pessoas.
“Estes números não são definitivos, porque ainda estamos dentro da época chuvosa e continuamos a actualizar a informação”, esclareceu.
Quanto às necessidades imediatas, a responsável destacou a assistência alimentar, o fornecimento de água potável, medicamentos, kits de abrigo, tendas, lonas e utensílios domésticos, bem como apoio específico a mulheres, crianças, idosos e outros grupos vulneráveis.
“Será fundamental apoiar as famílias com sementes, instrumentos agrícolas e material de construção, para que possam reconstruir as suas casas e reiniciar a produção agrícola”, concluiu.
(AIM)
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