: Passageiros desesperados ficam em terra por superlotação do comboio
Magude (Moçambique), 28 Jan (AIM) — Centenas de passageiros provenientes de vários pontos das províncias de Maputo e Gaza perderam, na manhã desta quarta-feira, o comboio humanitário Magude–Maputo, depois de a composição atingir a sua capacidade máxima de 1.500 passageiros, agravando o drama dos cidadãos afectados pelas cheias no Sul de Moçambique.
O comboio, composto por 11 vagões e disponibilizado pelos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), partiu lotado, deixando para trás cerca de 700 pessoas que aguardavam há dias por uma oportunidade de regressar à capital do país.
No momento em que o apito sinalizou a partida do comboio, o desespero tomou conta dos passageiros que não conseguiram lugar, prolongando o calvário provocado pelas cheias que cortaram as principais vias rodoviárias, sobretudo a Estrada Nacional Número Um (N1), frustrando o sonho de viajar para Maputo.
Visivelmente agastados e desiludidos, muitos passageiros não esconderam a sua revolta face à situação.
“Não sei o que fazer. Este comboio era a minha única esperança de ir para casa. Estou em Magude há duas semanas e não consigo regressar”, lamentou Anselmo Mulhovo, em entrevista à AIM.
Outra passageira, Filomena Cossa, disse ter chegado muito cedo à estação, mas, ainda assim, não conseguiu espaço na composição.
“Vamos esperar outra oportunidade, porque temos mesmo de sair daqui. Cheguei cedo e mesmo assim não consegui viajar”, afirmou.
O comboio, cuja partida estava agendada para as 9h00, ficou lotado ainda nas primeiras horas da madrugada, sobretudo por passageiros que pernoitaram na estação ferroviária de Magude.
A maioria dos utentes era proveniente da província de Gaza e de vários distritos da província de Maputo.
Perante os ânimos exaltados, a administradora do distrito de Magude, Mariana Cupane, deslocou o seu gabinete de trabalho para a estação ferroviária, numa tentativa de acalmar os passageiros.
Na ocasião, pediu paciência e garantiu soluções imediatas.
“Calma, todos vão viajar. Os comboios estão a regressar a Magude. Sabemos que há pessoas que vêm de longe, que atravessaram rios de barco para chegar aqui. Tenham coragem, porque todos irão viajar”, assegurou a dirigente distrital.
Por sua vez, o chefe das operações ferroviárias dos CFM Sul, Arnaldo Manjate, confirmou que cerca de 700 pessoas ficaram fora do comboio desta quarta-feira.
Segundo Manjate, será disponibilizado mais um comboio humanitário na próxima quinta-feira.
“Vamos colocar um novo comboio que parte de Maputo para Magude às 9h00 e regressa no mesmo dia, às 16h00, de Magude para Maputo”, explicou.
O responsável reconheceu o constrangimento vivido pelos passageiros, sublinhando que a elevada procura obrigou ao encerramento das portas da composição.
“O comboio atingiu o seu limite máximo de 1.500 passageiros e não podia transportar mais pessoas”, disse.
Entretanto, está prevista ainda para esta quarta-feira a chegada a Magude de um comboio de carga, transportando bens e produtos de primeira necessidade, com vista a assegurar o abastecimento local.
(AIM)
Paulino Checo
