Comboio especial dos Caminhos de Ferro de Moçambique leva passageiros e assistência humanitária ao distrito de Magude, província de Maputo
Magude (Moçambique), 27 Jan (AIM) – Um comboio especial dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) chegou hoje (27) ao distrito de Magude, na província de Maputo, transportando passageiros e bens de primeira necessidade, 15 dias depois da interrupção da circulação rodoviária em várias secções da Estrada Nacional Número Um (N1), na sequência das cheias que afectaram a região sul do país.
O bloqueio da estrada deixou Magude praticamente isolado, colocando as comunidades locais numa situação de emergência humanitária.
Durante mais de duas semanas, o distrito esteve sem ligação regular ao resto do país, com impactos severos na mobilidade das pessoas, no abastecimento de produtos essenciais e no funcionamento dos serviços sociais básicos.
Face à gravidade da situação, partiu hoje da Estação Central dos CFM, em Maputo, um comboio de emergência que chegou no início da tarde à vila-sede de Magude. Transportou pouco mais de 700 passageiros que se encontravam retidos na capital, impossibilitados de regressar às suas zonas de residência devido aos sucessivos cortes da N1.
À chegada, o comboio humanitário foi recebido pela administradora do distrito de Magude, Mariana Cupane, que destacou a importância da operação face aos constrangimentos provocados pelas chuvas intensas e pelas descargas das barragens da região, que provocaram o transbordo do rio Incomáti.
“Este comboio significa um alívio para Magude, que esteve cerca de 15 dias desligado do resto do país. Ao verem o comboio a chegar, as populações sentiram que a vida começa a retomar depois das cheias”, afirmou a governante.
Segundo Cupane, Magude passou a ter um papel crucial como elo de ligação ferroviária entre Maputo e as províncias do sul, nomeadamente Gaza e Inhambane, também isoladas pelos cortes da N1, considerando que há passageiros que partiram de Magude para outras regiões.
A administradora revelou ainda que o distrito ficou sete dias sem corrente eléctrica, devido à destruição de postes pelas cheias, agravando os prejuízos nos sectores social e económico.
“Ainda estamos a quantificar os danos no sector da saúde, mas, devido ao corte de energia, perdemos muitas vacinas”, lamentou, referindo igualmente os impactos severos no comércio local, a rotura de stocks e a iminência de uma crise de produtos de primeira necessidade.
Vários passageiros manifestaram satisfação por finalmente conseguirem chegar a Magude.
Alexina Benzane, residente no distrito, contou que esteve retida em Maputo durante duas semanas:
“É um grande alívio. Volto para casa para reencontrar os meus filhos e familiares. Tive de ficar num centro de acolhimento na Costa do Sol enquanto aguardava uma solução”, disse.
António Matope, residente na cidade da Matola, explicou que trabalhava em Magude, mas não conseguia regressar ao seu posto devido aos cortes da N1:
“Hoje, graças a Deus, vou render os meus colegas que também estão sitiados”, afirmou.
O comboio humanitário deverá regressar a Maputo na quarta-feira, transportando passageiros e carga diversa.
Fazendo o balanço da viagem, a chefe dos serviços de passageiros dos CFM garantiu que a circulação decorreu de forma tranquila, assegurando o transporte de passageiros e produtos alimentares destinados ao reabastecimento dos mercados locais.
(AIM)
Paulino Checo
