Foto família
Maputo, 31 Mar (AIM) – O Governo do Japão anunciou hoje um financiamento de 1,4 milhão de dólares para reforçar o sistema de saúde e capacitação de profissionais em Cabo Delgado, numa iniciativa que deverá beneficiar mais de 500 mil pessoas.
Os projectos foram apresentados esta terça-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento de iniciativas das Nações Unidas financiadas pelo Governo japonês, em coordenação com o Executivo moçambicano.
Trata-se de quatro projectos, cada um implementado por uma agência das Nações Unidas, que irão intervir nas áreas de saúde, empoderamento feminino, água, saneamento e higiene, reforçando a resiliência das comunidades afectadas por crises e desastres.
O embaixador do Japão acreditado em Moçambique, Keiji Hamada, explicou que uma das iniciativas visa reforçar a capacidade de resposta de emergência no sistema de saúde em Cabo Delgado.
“Estimamos que mais de 500 mil pessoas irão beneficiar desta intervenção, sobretudo no acesso a cuidados de saúde de emergência, algo que continua a ser um grande desafio na província”, afirmou.
Segundo Hamada, o projecto será implementado nos distritos de Balama, Meluco e Pemba, em estreita coordenação com o Governo e agências das Nações Unidas.
A intervenção inclui a entrega de três ambulâncias e a capacitação de profissionais, incluindo motoristas e enfermeiros, para assegurar a utilização eficaz destes meios no sistema sanitário.
“Pacientes que hoje enfrentam grandes dificuldades para chegar a cuidados de emergência terão acesso mais rápido e seguro aos serviços de saúde”, explicou.
Por sua vez, a coordenadora-residente das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, destacou o apoio continuado do Japão às iniciativas da organização.
Uma das acções será implementada nos distritos de Chiúre, em Cabo Delgado, e Eráti, em Nampula, com enfoque na protecção e empoderamento de mulheres afectadas pelo conflito.
Os beneficiários directos serão cerca de 2.900 mulheres e raparigas, enquanto aproximadamente 16 mil membros das comunidades deverão beneficiar indirectamente.
“O objectivo do nosso projecto é proteger e empoderar mulheres e raparigas afectadas pela crise, restaurando meios de vida, reduzindo riscos de protecção e reforçando a liderança das mulheres na resposta humanitária e na recuperação”, explicou.
O programa prevê a distribuição de bens não alimentares de emergência, apoio a meios de subsistência, promoção da dignidade menstrual e reforço da participação de organizações femininas locais.
“Queremos ver mais organizações lideradas por mulheres a participar activamente na resposta humanitária”, acrescentou.
Já a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, considerou que o apoio do Japão constitui um gesto de solidariedade relevante.
“Estes projectos irão contribuir de forma significativa para responder às necessidades imediatas das pessoas afectadas”, afirmou.
Meque recordou que, desde o início da época chuvosa e ciclónica 2025-2026, cheias, inundações e ciclones afectaram cerca de 1.053.000 pessoas, provocando 306 mortos e 351 feridos.
Apesar de alguma melhoria, muitas famílias continuam deslocadas ou perderam os seus meios de subsistência.
A dirigente sublinhou que o Japão tem sido um parceiro importante de Moçambique na gestão de riscos, apoiando a formação de quadros nacionais e projectos de redução do risco de inundações.
“Em 2023, o país recebeu do Japão 1.250 reservatórios de água, 130 lonas e cerca de 200 tendas; este ano, já foram disponibilizadas 1.800 mantas, 300 tanques de água, 10 purificadores, 30 lonas e 300 tendas”, concluiu.
(AIM)
NL/sg
