Hospital Hrovincial de Chimoio
Chimoio (Moçambique), 09 Mar (AIM) – Oito funcionários de saúde estão suspensos por alegada negligência que culminou com a morte de uma paciente e seu bebé, durante o trabalho de parto na maternidade do Hospital Provincial de Chimoio (HPC), na província de Manica, centro de Moçambique.
Os profissionais em causa encontravam-se de serviço na maternidade daquela unidade sanitária no passado domingo (05).
Segundo o relato do marido da vítima, a esposa deu entrada no hospital por volta das 16h00 de domingo, tendo perdido a vida durante a madrugada de segunda-feira.
Numa carta dirigida ao Presidente da República, Daniel Chapo, e divulgada nas redes sociais, Saulo Dimas acusa os profissionais de saúde de negligência, alegando que a equipa em serviço ignorou sinais de agravamento do estado clínico da paciente.
“Durante o trabalho de parto, a minha esposa estava sem força e a minha sogra sugeriu que fosse levada ao bloco para uma cesariana. Mas as enfermeiras de serviço disseram que era mimo, até que ela não resistiu e perdeu a vida juntamente com o bebé. Peço ao Presidente da República para que mande uma equipa de investigação àquela unidade sanitária, porque há relatos de outros casos de negligência que culminaram em mortes”, escreveu.
Na sequência da denúncia, a direcção do HPC decidiu suspender, de imediato, toda a equipa que se encontrava de serviço, com vista a garantir uma investigação isenta.
A directora do hospital, Marília Pugas, afirmou, em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira (08), que está em curso uma investigação para apurar as causas reais do incidente.
“É um trabalho que estamos a realizar em coordenação com outras entidades, nomeadamente a Procuradoria da República e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). Foi também realizada uma autópsia, cujo resultado já foi remetido às entidades competentes para os procedimentos subsequentes”, disse.
A responsável reconheceu a existência de denúncias de mau atendimento naquela unidade sanitária, assegurando que todas são objecto de averiguação e, quando comprovadas, resultam na responsabilização disciplinar dos envolvidos.
“Conforme temos referido, há denúncias que chegam à direcção do hospital. Sempre que as recebemos, investigamos e, caso se confirmem, tomamos medidas de acordo com a gravidade das infracções cometidas”, explicou.
Na ocasião, Marília Pugas apelou à população para denunciar quaisquer casos de mau atendimento, de modo a contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços prestados.
“O paciente não deve ter receio de comunicar à direcção do hospital quando sentir que está a ser mal atendido. Este é o esforço que estamos a fazer no sector, para assegurar um atendimento humanizado, porque o nosso maior valor deve continuar a ser a vida”, concluiu.
(AIM)
Nestor Magado (NM) /sg
