Bombas de combustivel
Maputo, 10 Abr (AIM) – Moçambique tem conseguido travar, até ao momento, a subida dos preços dos combustíveis graças às reservas existentes, mas a entrada de novos carregamentos adquiridos a preços mais elevados no mercado internacional poderá forçar um agravamento nos próximos tempos.
A informação foi avançada pelo porta-voz da Frelimo, Pedro Guiliche, durante uma conferência de imprensa realizada hoje (10) na cidade da Matola, província meridional de Maputo, onde decorre a V sessão ordinária do Comité Central (CC) do partido no poder.
Segundo Guiliche, os membros do CC incluíram na agenda desta sexta-feira a análise de mecanismos de contenção da subida dos combustíveis, um fenómeno com impacto directo nos sectores dos transportes e da agricultura.
“O agravamento não depende da vontade de Moçambique, não depende da vontade dos países aqui da nossa região e, por isso, todos eles neste momento já começam a registar algum tipo de agravamento”, afirmou.
De acordo com o porta-voz, desde 01 de Abril corrente, a maioria dos países da região da África Austral, incluindo Tanzânia, África do Sul, República Democrática do Congo, Namíbia e Maurícias, aumentou dos preços dos combustíveis, com variações entre 1,1 e 10 por cento.
“No nosso caso, porque tínhamos uma melhor capacidade de armazenamento de combustíveis, ainda estávamos em condições de continuar a comercializar o combustível de reserva”, explicou, sublinhando, no entanto, que estas reservas tendem a esgotar-se.
Acrescentou que a entrada de novos navios petroleiros nos portos moçambicanos poderá implicar um agravamento dos preços, devido aos custos mais elevados no mercado internacional.
Guiliche apelou à população para uma gestão racional do consumo de combustíveis, destacando os sectores da agricultura e dos transportes como os mais sensíveis.
“São o sector da agricultura, mas também o sector dos transportes, porque qualquer subida de preços de combustíveis vai implicar ajustamentos nos preços de transporte. No caso da agricultura, a nossa preocupação é reforçar a capacidade de produção e de criação de reservas alimentares para minimizar os impactos”, disse.
Sobre as medidas de mitigação, o porta-voz revelou que decorre uma reflexão no seio do Comité Central, cujos resultados deverão ser conhecidos até ao final do dia.
Recordou ainda que a subida dos preços dos combustíveis tende a provocar um efeito em cadeia, com impacto nos preços de bens essenciais.
“Estamos num momento desafiante, não apenas para o nosso país, mas para o mundo em geral”, frisou.
O actual contexto internacional resulta do conflito envolvendo Irão e Israel, com o envolvimento dos Estados Unidos, que tem provocado perturbações significativas no fornecimento global de combustíveis.
Um dos principais pontos críticos é o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 30 por cento do petróleo consumido mundialmente.
Recentemente, as partes em conflito acordaram um cessar-fogo de 15 dias, considerado frágil devido ao risco de retoma das hostilidades.
(AIM)
Ac /sg
