Maptuto, 12 de Abr (AIM) – O Comité Central da Frelimo, partido no poder em Moçambique, defende que a presença de forças estrangeiras em Moçambique não deve ser permanente, sublinhando que a responsabilidade da defesa nacional cabe, em primeira instância, ao Estado moçambicano.
A posição foi expressa pelo Presidente do partido e da República, Daniel Chapo, no encerramento da V Sessão do Comité Central, evento que durou três dias na Matola.
“A tarefa de defesa nacional é da responsabilidade primária do Estado e não se delega a outros Estados”, afirmou, sustentando a necessidade de o país reforçar a sua capacidade interna para garantir a soberania.
Esta visão surge numa altura em que permanece no país o exército ruandês, destacado desde 2021 para apoiar o combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado.
Recentemente, o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, manifestou preocupação em relação à continuidade da presença das suas tropas no teatro operacional norte, alegadamente devido a limitações orçamentais para sustentar as operações.
No seu discurso, Daniel Chapo destacou que o Comité Central reafirmou a necessidade de Moçambique fortalecer a sua capacidade de defesa e segurança nacional como condição essencial para o desenvolvimento sustentável.
Segundo o dirigente, o país enfrenta ainda sérias ameaças à sua soberania e integridade territorial, com destaque para o terrorismo que afecta alguns distritos de Cabo Delgado e que, por vezes, se estende às províncias vizinhas de Nampula e Niassa.
O Chefe de Estado descreveu o terrorismo como um fenómeno complexo e de dimensão transnacional, cujo combate exige coordenação e cooperação internacional, não apenas na troca de informações e formação militar, mas também no terreno, através de acções conjuntas contra os grupos armados.
Ainda assim, frisou que essa cooperação não deve comprometer o objectivo estratégico de autonomia nacional em matéria de defesa.
Neste contexto, o reforço e modernização das Forças de Defesa e Segurança foram apontados como uma prioridade de interesse nacional.
Para Chapo, trata-se de um imperativo num cenário em que, além do terrorismo, o país enfrenta ameaças não tradicionais, como o tráfico de drogas, a pirataria marítima, o branqueamento de capitais, os raptos, a imigração ilegal, bem como a exploração e o contrabando de recursos minerais e florestais.
A mensagem foi deixada num momento político relevante, à medida que o partido se prepara para a 11.ª Conferência Nacional de Quadros. O líder da Frelimo aproveitou a ocasião para mobilizar os membros do partido, simpatizantes e a sociedade em geral a aderirem a um “movimento patriótico” de construção de um Moçambique mais seguro, estável e desenvolvido.
Ao hierarquizar as prioridades, a Frelimo coloca no topo a consolidação da soberania nacional através do fortalecimento das instituições de defesa, sem descurar a importância da cooperação internacional no curto prazo.
(AIM)
Paulino Checo/
