Maputo, 14 Mai (AIM) – A Renamo, o segundo maior partido da oposição em Moçambique, apelou, esta quinta-feira (14), aos órgãos internos do partido para acelerarem a realização do Conselho Nacional e do congresso extraordinário.
O partido alega que há atrasos no cumprimento das recomendações saídas da reunião de generais e oficiais superiores realizada a 27 de Março último, na cidade de Chimoio, província central de Manica.
Falando em conferência de imprensa, o porta-voz da Comissão Nacional de Gestão da Renamo, João Machava, afirmou que “já decorreram 45 dias depois da reunião de generais e oficiais superiores”, sem que tenham sido dados passos concretos para a implementação das deliberações.
Segundo Machava, continua por se convocar reuniões previstas dos órgãos do partido. “Nada até agora foi feito, ou seja, nenhuma palha está a ser movida para qualquer dessas reuniões, o que é preocupante”, disse.
Sublinhou que esta situação está a gerar inquietação no seio dos membros e simpatizantes da formação política, num contexto em que se aguardavam passos concretos para a dinamização interna do partido.
Machava alertou para aquilo que classificou como possíveis entraves ao processo interno, afirmando que o partido deve estar atento a eventuais constrangimentos na liderança.
“Queremos desde já chamar atenção e despertar aos membros e simpatizantes do partido para as prováveis manobras dilatórias”, disse.
O porta-voz acrescentou que a eventual ausência prolongada da liderança não deve paralisar o funcionamento da organização.
“Em casos dessa situação de viagens para tratamento no estrangeiro ou tradicional, deve-se accionar a cláusula estatutária que permite a substituição do presidente até à realização do congresso”, defendeu.
Machava criticou o que considera ser ausência de posicionamento público da direcção do partido perante questões nacionais, afirmando que “o presidente do partido não está a apresentar publicamente as posições do partido”.
O dirigente apontou ainda diversos problemas que, segundo disse, afectam os moçambicanos, incluindo a situação de insegurança em Cabo Delgado, os assassinatos de garimpeiros em algumas regiões, a xenofobia na África do Sul, o aumento do custo de vida e greves anunciadas em vários sectores.
“Estamos a falar de guerra em Cabo Delgado e Nampula, mortes e assassinatos de garimpeiros em Manica e Nampula, aumentos salariais insuficientes, xenofobia na África do Sul, greves anunciadas em vários sectores, incluindo a magistratura judicial, e o custo de vida derivado do aumento dos preços dos combustíveis”, disse.
A Comissão Nacional de Gestão apelou, por isso, aos órgãos competentes do partido para que tomem medidas concretas para a realização do Conselho Nacional, que deverá, segundo defendem, convocar um congresso extraordinário até finais de Setembro do presente ano.
“Apelamos aos vários órgãos do partido para que cada um dentro da sua esfera de actuação impulsione passos concretos para a realização do Conselho Nacional”, afirmou Machava.
Acrescentou que esse órgão “deve convocar o congresso extraordinário da Comissão Política Nacional para dar passos rumo à realização do congresso extraordinário até ao final do mês de Setembro”.
Na ocasião, os membros da Comissão reafirmaram o compromisso com os ideais históricos da Renamo, sublinhando a necessidade de preservar o legado dos seus antigos líderes, nomeadamente André Matsangaissa e Afonso Dhlakama.
(AIM)
SNN/mz
