Chimoio (Moçambique), 27 Mar (AIM) – O presidente da Renamo, terceira maior força política em Moçambique, Ossufo Momade, reiterou a sua disponibilidade para abandonar a liderança do partido ainda este ano (2026), num momento em que enfrenta forte contestação interna.
A confirmação foi feita na quinta-feira (26), durante a Reunião de Generais e Oficiais Superiores da Renamo, realizada na cidade de Chimoio, capital da província de Manica.
Segundo o porta-voz do encontro, Hermínio Morais, Momade reafirmou, perante altos quadros do partido, a sua intenção de cessar funções.
“Ele próprio garantiu que deixará de conduzir os destinos do partido ainda este ano. No seu lugar, deverá surgir uma outra figura para assumir a liderança”, declarou Morais.
De acordo com a mesma fonte, a decisão foi comunicada directamente por Momade durante a reunião. “Ouvimos da boca dele. Reiterou que está a preparar a sua saída, procurando assegurar que o seu sucessor encontre um ambiente estável no seio da Renamo”, acrescentou.
Ossufo Momade foi eleito presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) em 2019, no VI Congresso do partido, realizado em Gorongosa, província de Sofala, após a morte de Afonso Dhlakama, vítima de doença. Em 2024, foi reeleito no congresso realizado em Alto Molócuè, na província da Zambézia.
Durante o encontro de Chimoio, os participantes debateram igualmente o estado interno do partido e as perspectivas futuras.
“Foi uma oportunidade para reflectirmos sobre o tipo de Renamo que queremos daqui para a frente”, afirmou Morais, acrescentando que ficou decidido reabrir, com carácter prioritário, as sedes provinciais que se encontram encerradas.
“É do conhecimento de todos que o partido não tem funcionado adequadamente. Algumas delegações encontram-se encerradas. No entanto, através do diálogo, alcançámos consensos e reforçámos a necessidade de um ambiente de paz, tendo em vista as eleições autárquicas de 2028 e as gerais de 2029”, explicou.
Segundo Morais, os responsáveis pelo encerramento de sedes e pela criação de distúrbios internos foram chamados à responsabilidade, perspectivando-se a retoma plena do funcionamento das estruturas provinciais e distritais num futuro próximo.
Para este ano, estão igualmente previstos eventos determinantes para a vida interna do partido, nomeadamente a realização do Conselho Nacional e do Congresso.
“Nos termos estatutários, o Conselho Nacional deverá reunir ainda neste primeiro semestre. Antes de Junho, será marcada a data do congresso, que determinará se terá carácter ordinário ou extraordinário”, disse.
Morais assegurou ainda que o encontro permitiu reforçar a coesão interna. “A família da Renamo está unida. Alcançámos consensos importantes nesta reunião”, sublinhou.
Concluiu afirmando que a prioridade passa agora por “arregaçar as mangas e trabalhar de forma unida em prol do povo moçambicano”.
A reunião, que contou com a participação de generais, guerrilheiros e outros quadros do partido, decorreu durante um dia e teve como objectivo central a análise dos desafios internos e a definição de estratégias para o futuro da formação política.
(AIM)
Nestor Magado (NM)/pc
