Província de Maputo, 02 de Jul (AIM) – A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), no Parque Nacional de Maputo, um programa de formação que pretende fortalecer os métodos de fiscalização e a capacidade de liderança nas áreas de conservação transfronteiriças do sul de Moçambique.
A iniciativa reúne mais de 40 gestores e líderes dos Parques Nacionais de Maputo, Limpopo, Zinave e Banhine, responsáveis pela supervisão de cerca de 378 fiscais que actuam na protecção de algumas das mais importantes áreas de conservação do país. A acção e decorrerá até ao dia 14 de Julho.
O programa representa a primeira acção operacional do novo Programa de Formação para Gestores e Fiscais das Áreas de Conservação Transfronteiriças (TFCA) da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) orçado em 50 milhões de euros para a região.
A iniciativa é financiada pelo Governo da Alemanha, através do Fundo de Financiamento para Áreas de Conservação Transfronteiriças da SADC (TFCA Financing Facility), implementado pelo Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A implementação da formação é assegurada pela ANAC, em parceria com a Peace Parks Foundation e o Southern African Wildlife College, organizações sul-africanas que actuam na área de conservação.
As áreas abrangidas pelo projecto incluem a Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, que integra os Parques Nacionais do Limpopo, Banhine e Zinave, e a Paisagem Transfronteiriça de Lubombo, onde se insere o Parque Nacional de Maputo. Estas paisagens ligam ecossistemas de Moçambique, África do Sul e Zimbabwe, incluindo os Parques Nacionais Kruger e Gonarezhou.
Segundo o Chefe Adjunto de Cooperação na Embaixada da Alemanha em Moçambique, Benjamim Jeromin, a conservação da biodiversidade exige respostas coordenadas entre os países da região.
“Estamos a trabalhar muito com a SADC porque o desafio da protecção ambiental e da conservação é um desafio regional”, afirmou.
Acrescentou que a cooperação alemã privilegia a mitigação dos conflitos entre pessoas e fauna bravia e o apoio às comunidades locais, assegurando que o programa demonstra o poder da parceria e de estratégias baseadas em evidências para reforçar a capacidade de conservação no terreno.
O diplomata explicou ainda que esta é a primeira experiência-piloto do programa de formação, concebido depois de uma avaliação das necessidades realizada em 2025, e destinado a responder à crescente procura por quadros mais preparados para gerir áreas protegidas transfronteiriças.
Para a SADC, o investimento na formação dos fiscais e gestores constitui um passo estratégico para reforçar a conservação regional. A responsável sénior para Recursos Naturais e Vida Bravia do Secretariado da organização, Ndapanda Kanime, considerou que o lançamento da formação representa muito mais do que o início de um curso.
“Este evento marca a primeira actividade operacional do Programa de Formação para Gestores e Fiscais das Áreas de Conservação Transfronteiriças da SADC”, afirmou.
Segundo a responsável, o programa integra a estratégia regional para o período 2023-2033 e responde à necessidade identificada pelos Estados-membros de reforçar as capacidades técnicas e de liderança dos profissionais que trabalham nas áreas protegidas.
“Investir na capacidade dos gestores e fiscais é essencial para a gestão eficaz e a protecção do nosso património natural partilhado”, sublinhou.
A SADC recorda que as áreas de conservação transfronteiriças preservam alguns dos mais importantes recursos de biodiversidade da África Austral, asseguram a conectividade ecológica, fortalecem a resiliência climática e sustentam o turismo e os meios de subsistência de milhões de pessoas.
Contudo, estes ecossistemas enfrentam desafios crescentes, entre os quais a caça furtiva, a degradação dos habitats, os conflitos entre pessoas e fauna bravia, as alterações climáticas e a pressão sobre os recursos naturais.
De acordo com Ndapanda Kanime, os fiscais trabalham frequentemente em condições difíceis e perigosas, desempenhando funções que vão desde a fiscalização e aplicação da lei até ao apoio às comunidades locais e à segurança dos visitantes.
“Este programa é um investimento estratégico nas pessoas, fortalecendo competências de liderança, capacidades de gestão e padrões profissionais dos gestores e fiscais das áreas protegidas”, afirmou.
A Peace Parks Foundation desempenha um papel central na implementação do projecto em parceria com a ANAC, assegurando a execução das actividades de formação previstas no âmbito do mecanismo regional financiado pela Alemanha.
Ouvida pela AIM, Marta Mathe, Fiscal de Floresta e Fauna Bravia no Parque Nacional do Limpopo, tem espectativa de adquirir mais conhecimento que irão ajudar a aprimorar os mecanismos de fiscalização, numa área de conservação conhecida pelos desafios de conflito homem-animal.
“O conhecimento vai nos permitir gerir da melhor forma ao conflito homem-animal a nível do parque do Limpopo”, disse.
Além da formação actualmente em curso, o programa prevê a implementação de dois projectos-piloto que, posteriormente, serão alargados às restantes áreas de conservação transfronteiriças da região da SADC.
(AIM)
Paulino Checo/
