Maputo, 24 Nov (AIM) — Empresários moçambicanos integrados na Agência de Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX) e seus pares do Brasil reuniram-se hoje (24) em Maputo, a busca de estabelecimento de parcerias com vista a estimular as trocas comerciais entre ambos países.
Para o efeito, o director geral da APIEX, Luís Machava, arrolou o potencial existente em Moçambique, citando como exemplo a localização estratégica do país para o comércio regional, recursos humanos, gás natural, infra-estruturas tais como portos e caminhos-de-ferro, estradas, estabilidade política, incentivos, ambiente de negócios favorável ao investimento acesso a mercados, boa governação, mercados entre outros.
“O país também tem incentivos fiscais e não fiscais. Temos um quadro legal de garantia de investimentos, Moçambique apresenta um vasto quadro legal integrado que regula as matérias sobre investimento com destaque para as novas leis de investimento privado, de trabalho, cambial, de terra, de petróleos, de minas, de parcerias públicas privadas, bem como regulamentos que permitem a emissão de licença em apenas um dia, isenção de vistos para 29 países, maior complementaridade, entre outros”, disse.
Machava falava durante o encontro Empresarial Brasil–Moçambique, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil), envolvendo a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), autoridades governamentais do sector privado e instituições de ambos países.
O encontro surge no âmbito da visita de trabalho que o Presidente brasileiro, Lula da Silva, efectua a Moçambique a convite do estadista moçambicano, Daniel Chapo.
O gerente de assessoria internacional do Serviço de Apoio as Micro e Pequenas empresas do Brasil, Vinícius Nobre Lages, fez saber que o carácter profundamente cooperativo da aproximação Brasil–Moçambique.
“Além de uma aproximação comercial, trata-se de uma aproximação para a cooperação, num mundo de tensões geopolíticas sem precedentes, precisamos reafirmar o multilateralismo e caminhar juntos”, disse.
Referiu que os pequenos negócios no Brasil representam 98% das empresas e dois terços dos empregos, como eixo fundamental de cooperação com Moçambique.
O embaixador Alex Giacomelli, concidentemente director do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Brasil, destacou o país como parceiro privilegiado dentro da política externa brasileira.
“Moçambique é o parceiro mais importante de cooperação técnica do Brasil no mundo”, afirmou, ressaltando que novos acordos devem ser assinados ainda durante a visita presidencial.
Por seu turno, a directora de negócios da APIEX do Brasil, Ana Arrepezza, reforçou que a directriz do governo brasileiro para a África está centrada na cooperação económica estratégica.
“Não estamos aqui apenas para promover exportações, mas para construir parcerias que contribuam para segurança alimentar, transição energética e acesso à saúde universal”, disse.
Acrescentou que esta é uma das maiores missões brasileiras dos últimos anos e que a última visita de Lula da Silva a Maputo, ocorreu há 17 anos.
Já o vice-presidente da CTA, Amâncio Gomes, ressaltou que o comércio bilateral no país ultrapassou 100 milhões de dólares em 2024 e está longe do potencial real.
“As nossas economias são complementares. Moçambique está aberto, preparado e interessado em apoiar mais investimentos brasileiros”, disse.
Destacou oportunidades existentes nas áreas de agro-indústria, pesca industrial, energias renováveis e turismo, estabilidade política e as reformas em curso constituem bases para facilitar o investimento.
O fórum, debateu igualmente aspectos sobre inovação em saúde, energia, indústria e agronegócio, tidos pelos organizadores como um marco na pavimentação das relações Brasil–Moçambique, no quadro dos 50 anos de independência do pais e das cinco décadas de relações diplomáticas entre ambos países.
Espera-se que o encontro gere novas parcerias empresariais, fábricas, projectos conjuntos e empregos, consolidando a presença brasileira em Moçambique e ampliação a cooperação Sul–Sul num momento crucial para o cenário internacional.
(AIM)
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