NAMPULA, Moçambique, 4 OUT. (AIM) – A Comunidade de Sant’Egídio defende uma paz “desarmada e desarmante”, baseada no diálogo, na rejeição da violência e na superação dos ódios e conflitos que continuam a afectar diferentes regiões do mundo.
A posição foi defendida este domingo, 4 de Outubro, Dia Nacional da Paz em Moçambique, por António Sardinha, representante da Comunidade de Sant’Egídio em Nampula, zona norte, durante a cerimónia comemorativa dos 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP), realizada na Praça dos Heróis Moçambicanos.
A cerimónia juntou militantes e simpatizantes de diferentes partidos políticos, membros do Governo, crianças, jovens e adultos.
“Hoje em dia, exalta-se a força, o poder e a capacidade de subjugar o outro através da violência. Neste mundo de armas e de negócios da guerra, temos um papel: desarmar a linguagem, desarmar os corações, desarmar o ódio e os conflitos. Queremos viver uma paz desarmada e desarmante”, afirmou Sardinha.
Segundo o representante da Comunidade de Sant’Egídio, a paz deve voltar a ser encarada como a norma, enquanto a guerra deve ser vista como uma expressão de fracasso do diálogo.
“A paz é o que os povos desejam, os feridos da guerra e as crianças a quem foi roubada a infância. É a paz que deve voltar a ser considerada norma, e não a guerra”, disse.
Sardinha recordou o papel desempenhado pela Comunidade de Sant’Egídio no processo que conduziu ao fim da guerra civil moçambicana, sublinhando que as negociações de paz decorreram com a participação e mediação daquela organização religiosa, em Roma.
“Há trinta e quatro anos, teve lugar, em Roma, a assinatura do Acordo Geral de Paz, no dia 4 de Outubro de 1992, na Comunidade de Sant’Egídio. O Acordo pôs fim a uma guerra sangrenta que se tinha alastrado por todo o país e que provocou mais de um milhão de mortos ao longo de 16 anos. Naquele dia, Moçambique reencontrou a tão desejada paz e recomeçou a viver e a sonhar. Nós, aqui, somos os filhos daquele sonho”, afirmou.
A Comunidade de Sant’Egídio participou nas negociações que envolveram o Governo moçambicano e a Renamo, contribuindo para a criação de condições de diálogo que culminaram na assinatura do AGP, em 4 de Outubro de 1992, em Roma.
Ao recordar este percurso, Sardinha destacou a importância do diálogo e da negociação para a resolução dos conflitos, num momento em que Moçambique continua a enfrentar desafios de segurança, sobretudo na província de Cabo Delgado, onde actua uma insurgência armada.
Enquanto Moçambique assinala os avanços alcançados com o processo de paz, observou, muitos povos continuam a sofrer as consequências de conflitos armados.
“É preciso passar da era da força e da guerra para a era do diálogo e da negociação. Todos podemos contribuir para isso, desde que não cedamos ao pessimismo que considera a guerra inevitável”, defendeu.
Sardinha apelou ainda aos líderes religiosos e às autoridades para que reforcem o compromisso com a juventude, através da promoção de uma cultura de paz.
“O nosso é um país de jovens. Como líderes religiosos, como autoridades, precisamos de nos comprometer com eles, transmitindo-lhes que a paz é futuro, enquanto a violência e as armas representam um recuo para um mundo velho e contribuem para destruir a terra, nossa casa comum”, afirmou.
A Comunidade de Sant’Egídio desempenhou um papel central no processo de paz moçambicano, tendo acolhido e participado nas negociações que conduziram à assinatura do Acordo Geral de Paz, que pôs fim a 16 anos de guerra civil em Moçambique.
(AIM)
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