Nampula (Moçambique), 04 Out. (AIM) — A descoberta tardia do cancro da mama e do colo do útero reduz as possibilidades de tratamento eficaz, constituindo um dos principais desafios do sector da Saúde na província de Nampula, norte de Moçambique.
A directora provincial de Saúde, Selma Xavier, revelou que, no primeiro semestre do ano em curso, foram rastreadas 74.152 mulheres nas diferentes unidades sanitárias da província, tendo sido diagnosticadas 4.077, das quais 3.096 foram consideradas elegíveis para tratamento.
Perante estes dados, a médica considerou que o cancro continua a constituir um importante problema de saúde pública em Moçambique, sobretudo quando a doença é detectada em fases avançadas.
“O desafio torna-se ainda maior quando a doença é descoberta tardiamente, reduzindo as possibilidades de tratamento eficaz e aumentando o sofrimento das mulheres, das famílias e das comunidades. Por isso, o Outubro não deve ser apenas um mês de campanhas, mas um momento para despertar consciências, provocar reflexão e transformar o conhecimento em acção”, afirmou.
Segundo a responsável, durante a campanha, o sector da Saúde pretende levar mensagens de sensibilização aos locais de maior concentração populacional, escolas e unidades sanitárias, para além da realização de debates nos órgãos de comunicação social e da utilização de outras plataformas de difusão de informação sobre a doença.
“Esta campanha é uma responsabilidade colectiva. Por isso, gostaríamos de apelar aos vários segmentos da sociedade para que sejam difusores de informação. Aos profissionais de saúde, cada porta de entrada do nosso sistema é também uma oportunidade para salvar uma vida. Apelamos, por isso, para que, além da competência técnica no rastreio, diagnóstico e tratamento, ofereçam um atendimento humanizado, acolhedor e livre de julgamentos”, disse.
Selma Xavier explicou ainda que o cancro do colo do útero é, em grande medida, prevenível através da vacinação contra o HPV, do rastreio e do tratamento atempado das lesões, salientando que Moçambique integra o programa de imunização contra o vírus desde 2021.
“Precisamos de proteger as nossas raparigas através da vacinação contra o HPV, recomendada para meninas dos nove aos 14 anos, e garantir que as mulheres tenham acesso ao rastreio, conforme as normas nacionais. O Governo tem ampliado os esforços para proteger milhões de raparigas moçambicanas”, afirmou.
A directora provincial de Saúde apelou igualmente às mulheres, pais, líderes comunitários, professores, jornalistas e outros sectores da sociedade para que assumam o papel de principais difusores de mensagens de prevenção, tendo em conta que o cancro afecta as famílias nos planos emocional, social e económico.
“Uma mensagem correcta pode levar uma mulher ao serviço de saúde. Uma orientação atempada pode permitir descobrir uma lesão antes que se transforme em cancro. E um encaminhamento adequado pode significar a diferença entre perder e salvar uma vida”, sublinhou.
No lançamento da campanha de prevenção, realizado sexta-feira, na cidade de Nampula, Selma Xavier defendeu que o Outubro Rosa deve constituir um compromisso colectivo com a prevenção, a detecção precoce, o tratamento adequado e a continuidade dos cuidados.
“Prevenir é proteger, detectar cedo é aumentar a possibilidade de tratamento, tratar é devolver esperança e cuidar com humanidade é respeitar a dignidade de cada mulher e da família”, concluiu.
O Outubro Rosa decorre sob o lema “Fortalecendo a Prevenção, Detecção Precoce e Continuidade de Cuidados no Cancro da Mama e Colo do Útero em Moçambique”. (AIM)
