Estrada na capital da provincia de Nampula. Foto de Ferhat Momade
Nampula (Moçambique), 04 Mai (AIM) – As autoridades governamentais da província de Nampula, no norte de Moçambique, ponderam a instalação de um parque tecnológico para incubação de ideias e empresas pela academia.
A intenção foi partilhada, recentemente, durante um evento de oferta de equipamentos electrónicos inserido na iniciativa do governo de Moçambique, “programa um computador um estudante do ensino superior”, que fará a Universidade Rovuma (UNIROVUMA), distribuir pouco mais de 300 aparelhos nas suas unidades nas províncias da região norte, nomeadamente Nampula, a sede, Niassa e Cabo Delgado.
Na ocasião, o presidente do conselho municipal de Nampula, Luís Giquira, ouviu sugestões para disponibilizar um espaço adequado para a instalação do parque tecnológico em perspectiva.
Em defesa da implantação de um parque tecnológico na província, o governador esgrimiu alguns argumentos.
“Nós temos mais faculdades que restaurantes na província de Nampula. É ou não é uma província intelectual?”, questionou.
Prosseguiu: “Nós lançamos, há menos de um mês, o Nampula Parks, onde também discutimos inovação, ciência e, sobretudo, um parque de desenvolvimento industrial. E no âmbito desse lançamento do Nampula Parks, que é dirigido por um jovem que também passou por estas universidades, lançamos 100 estágios remunerados e já recebemos 58 candidaturas”, disse
Explicou que as empresas recebem os recém-graduados, de nível médio ou nível superior, o jovem inscreve-se numa plataforma do Banco Mundial e tem um estágio durante seis meses.
“A plataforma é do Banco Mundia.l o recém-graduado ou o estagiário que estiver nessa empresa inscreve-se, regista-se e se tiver sorte vai ser chamado. Não há espaço para vender vagas aqui”, garantiu.
A ideia do parque tecnológico foi corroborada pelo Secretário de Estado para Nampula, Plácido Pereira, que se mostrou particularmente agradado por ter voltado ao convívio num centro de conhecimento, como é a Universidade Rovuma.
“Puseram-nos aqui desafios, ao Estado, às entidades descentralizadas, aos estudantes como futuros empresários e academia. Há uma série de palavras-chave que foram aqui apresentadas, como inovação, desenvolvimento, pólos tecnológicos. Uma área, que me é bastante cara, é a descentralização, governação e desenvolvimento local. Porque, na verdade, muitas das experiências que temos, destes pólos tecnológicos, ditaram o desenvolvimento de certas cidades, passaram a formar a sua marca. E aqui a questão é, como a inovação pôde tornar os territórios uns mais atractivos que outros?”, desafiou.
Pereira disse haver uma grande discussão sobre “o papel de todos nós”. “Há um investimento inicial que deve ser feito pelo Estado, pelas entidades descentralizadas, pelos municípios, para que, empresas e serviços, sejam a atracção para se fixarem nestes territórios. Fixando estas empresas nestes territórios, também vai resolver uma série de problemas”.
O Secretário de Estado sinalizou, como exemplos, o desempenho e a promoção imobiliária, como factores a ter em conta na instalação dos parques tecnológicos como pólos para o desenvolvimento.
“Esta questão de pólos tecnológicos, está associada ao desenvolvimento dos municípios. No ano passado, foi aprovada a política de urbanização, e há aqui desafios, a implementação desta política”, disse.
“Para a implementação desta política, uma das coisas boas que este país tem, é a sua estrutura, de cidades, como primárias, secundárias e parciais. Em cada província, temos uma ou duas cidades que deveriam crescer ou evoluir, para pólos urbanos. Aqui, Angoche, pode ser um pólo urbano de referência, Nacala, que já é, entre outros, e isto seria bom, porque iríamos descentralizar os serviços e a cidade de Nampula não ficaria abarrotada, como está”.
Lembrou o falecido Papa Francisco e a sua encíclica que completou há dias dez anos que diz respeito à terra, nossa casa comum.
“E nós temos responsabilidades, com esta terra, que é nossa casa comum”, anotou.
Quer o governador, quer o Secretário de Estado para Nampula, destacaram como o advento das novas tecnologias de informação e comunicação impele ao investimento, em particular no ensino superior.
Defenderam que a tarefa caracterizada pela sincronização do trabalho apela para que o ensino superior moçambicano se enquadre, nos actuais padrões internacionais, formando cidadãos, não apenas, com competências cognitivas, mas com habilidades, em tecnologias, de informação e comunicação.
AIM
Rosa Inguane/dt
