Maputo, 21 Ago (AIM) – O Relatório de Desenvolvimento Humano 2025, lançado hoje (21), em Maputo, evidencia progressos relevantes em sectores sociais, económicos e tecnológicos, com destaque para a aposta na inteligência artificial como instrumento de inclusão e transformação social.
Segundo o Ministro do Desenvolvimento e Planeamento, Salimo Valá, o país registou avanços concretos em educação, saúde e infraestruturas, reflexo de políticas públicas consistentes. Apesar disso, Moçambique mantém-se na faixa de baixo desenvolvimento humano, com um índice de 0,493, ocupando a posição 182 entre 193 países.
Entre os progressos destacados, Valá sublinhou o acesso à energia elétrica, que evoluiu de 6,6 por cento em 1997 para 60,1 por cento em 2024, e o acesso à água potável, que passou de 19 por cento em 2020 para 62 por cento actualmente.
Também mencionou melhorias significativas na saúde pública, nomeadamente a expansão da cobertura de vacinação infantil, a redução da mortalidade materna e infantil e a implementação de programas de prevenção contra doenças transmissíveis, como o HIV e a malária, beneficiando comunidades rurais historicamente excluídas.
Falando no lançamento do relatório, o ministro destacou que o documento é uma ferramenta estratégica para medir avanços e identificar áreas críticas.
“Investir na formação de professores, na modernização do currículo e no acesso a tecnologias digitais é essencial para criar cidadãos preparados para os desafios do século XXI. A inteligência artificial surge como ferramenta poderosa, mas deve ser usada para potencializar capacidades humanas, apoiar a aprendizagem, modernizar a agricultura e fortalecer serviços públicos, nunca para substituir a criatividade e o esforço humano”, afirmou Valá.
O governante acrescentou que os investimentos em infraestruturas e políticas sociais visam reduzir desigualdades regionais e garantir inclusão social, sobretudo nas zonas mais vulneráveis.
“Estamos a trabalhar para que os números reflitam transformação real na vida das pessoas, não apenas indicadores estatísticos. Cada progresso em energia, educação, saúde ou tecnologia é um passo na melhoria do bem-estar da população e na criação de oportunidades sustentáveis”, concluiu.
O representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Edo Strok, também interveio, destacando avanços, mas alertando para as desigualdades ainda existentes.
“A inteligência artificial e outras tecnologias podem transformar Moçambique, desde que adaptadas às necessidades locais. O relatório é um guia estratégico que orienta políticas públicas e investimentos, mas o seu impacto depende da capacidade do país de mobilizar recursos, formar quadros e envolver a sociedade civil”, disse Strok.
O responsável assegurou que o PNUD continuará a apoiar o Governo e as instituições académicas na promoção de políticas inclusivas e na formação de competências digitais, para garantir que as novas tecnologias contribuam para ampliar oportunidades de desenvolvimento humano em todo o território nacional.
Já o Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo (UP), Jorge Ferrão, afirmou que o relatório funciona como “um espelho da realidade nacional”, orientando universidades, docentes e estudantes na construção de políticas e práticas educacionais mais eficazes.
Ferrão reforçou que a inteligência artificial deve servir para expandir competências humanas e apoiar a aprendizagem, mas nunca para substituir o conhecimento académico. O académico lembrou ainda o compromisso da UP com a inclusão e a diversidade, simbolizado no hino da instituição, cantado em quatro línguas nacionais.
“Os avanços registados dependem de uma ação coordenada entre Governo, sociedade civil, instituições académicas e parceiros internacionais. É fundamental transformar dados e indicadores em políticas concretas e resultados tangíveis para a população”, concluiu o Reitor.
(AIM)
SNN/PC
