Barragem de Massingir
Maputo, 15 Jan (AIM) – As autoridades moçambicanas intensificaram, nas últimas horas, as operações de evacuação das populações que vivem ao longo do Vale do Limpopo, na sequência do aumento significativo das descargas da barragem de Massingir, provocado pelas chuvas intensas que se fazem sentir na região sul do país e na vizinha África do Sul.
A presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, ordenou a evacuação imediata dos habitantes da cidade de Chókwè e da vila de Caniçado, por considerar iminente o risco de cheias que poderão atingir aquelas urbes nas próximas horas.
“O tempo de sensibilização já terminou. Temos de avançar para a evacuação compulsiva das comunidades que se encontram em zonas de risco”, afirmou Luísa Meque, esta quinta-feira, durante uma sessão extraordinária do Comité Operativo de Emergência Provincial, realizada na cidade de Chókwè, segundo a Rádio Moçambique, emissora nacional.
A responsável explicou que a decisão resulta da informação prestada pela Direcção Nacional de Recursos Hídricos, segundo a qual a barragem de Massingir se encontra a efectuar descargas na ordem dos 15 mil metros cúbicos de água por segundo, volume que, adicionado ao caudal natural do rio Limpopo, eleva o fluxo para cerca de 22 mil metros cúbicos por segundo.
Luísa Meque, que sobrevoou o Vale do Limpopo e a albufeira de Massingir, descreveu o cenário como extremamente preocupante, sublinhando que a quantidade de água libertada “não é pouca coisa” e exige uma resposta imediata por parte das autoridades e da população.
“Vamos levar esta situação muito a sério. Chókwè já tem experiência de cheias e tudo faremos para evitar que se repita o que aconteceu no ano 2000”, advertiu.
Entretanto, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, que igualmente realizou uma visita de trabalho à barragem de Massingir, confirmou que as descargas atingiram níveis inéditos.
“A barragem está a libertar cerca de 10 mil metros cúbicos de água por segundo. É muita água e, pela primeira vez, registamos descargas deste volume”, afirmou, apelando à retirada imediata das populações que vivem em zonas propensas a inundações.
No distrito de Massingir, o administrador distrital, Sérgio Costa, informou que já foram resgatadas 80 pessoas, correspondentes a 12 famílias, de um total de cerca de 600 pessoas que ficaram sitiadas em diversas comunidades, incluindo as zonas de Zulo, Mucatine e Chitar.
“As operações de resgate prosseguem com o objectivo de não se perder nenhuma vida humana”, assegurou, reconhecendo, entretanto, dificuldades na salvaguarda do gado.
Por seu turno, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, deu a conhecer que 68 pessoas permanecem isoladas há quatro dias na zona de Mafacitela, na estrada que liga Mapai e Massangena, situação agravada pelas condições climatéricas adversas, que têm dificultado as operações de resgate aéreo.
As populações evacuadas estão a ser encaminhadas para centros de acomodação previamente identificados pelos governos distritais e municipais, enquanto as autoridades continuam a acompanhar a evolução do caudal do rio Limpopo.
(AIM)
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