Maputo, 24 de Fevereiro (AIM) — Itália, Índia e Quénia formalizaram, em Nova Deli, um acordo de colaboração estratégica trilateral destinado a estruturar e expandir infra-estruturas de inteligência artificial (IA) no continente africano.
O entendimento foi assinado à margem da Cimeira sobre o Impacto da Inteligência Artificial, integrando-se no âmbito do Pólo de Inteligência Artificial para o Desenvolvimento Sustentável, promovido pelo Ministério da Empresa e do Made in Italy (MIMIT), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e na continuidade do Plano Mattei. O acordo enquadra-se igualmente no Plano de Acção Estratégico Índia-Itália 2025-2029.
A oficialização coube ao ministro italiano da Empresa e do Made in Italy, Adolfo Urso, em representação da primeira-ministra Giorgia Meloni, na presença do ministro indiano da Electrónica e Tecnologias da Informação, Ashwini Vaishnaw, e do ministro queniano da Informação, Comunicações e Economia Digital, William Kabogo Gitau.
«Este acordo consolida a colaboração entre a Itália, a Índia e o Quénia para desenvolver a inteligência artificial no continente africano, em conformidade com os objectivos do nosso Plano Mattei», declarou Urso.
Segundo o governante italiano, a Índia, parceira estratégica de Roma e actor essencial para as empresas italianas no domínio da inovação — assumirá um papel central ao lado do Pólo de IA promovido pelo MIMIT durante a presidência italiana do G7.
O memorando prevê o lançamento, a partir de 2026, de quinze casos de uso prioritários de elevado impacto, contribuindo para a criação de cerca de uma centena de vias de difusão da IA nos países do Sul global. A iniciativa envolverá igualmente a Fundação EkStep / People+AI, da Índia, e a Direcção de Economia Digital e Tecnologias Emergentes do Governo queniano.
A cooperação trilateral visa reforçar infra-estruturas tecnológicas, modelos operacionais e competências técnicas, acompanhando as soluções de IA desde a fase piloto até à sua implementação em larga escala.
Um dos eixos centrais será o desenvolvimento de soluções de IA vocal em línguas africanas, com o objectivo de ampliar o acesso a serviços digitais e reduzir barreiras linguísticas que ainda limitam a inclusão tecnológica no continente.
Será igualmente criado um grupo de trabalho Itália-Índia-Quénia para orientar e monitorizar os primeiros quinze projectos, em coordenação com as estratégias nacionais de cada país. A carta de intenções, de natureza não vinculativa, reafirma o compromisso com uma implementação da IA inclusiva, transparente e respeitadora da soberania dos dados.
Com esta assinatura, a Itália reforça o seu posicionamento como ponte entre ecossistemas de inovação e promotora de uma abordagem multilateral com impacto económico e social concreto.
«Trata-se da primeira colaboração trilateral entre Europa, África e Ásia no domínio da IA», sublinhou Urso. «Temos de partilhar orientações para guiar o desenvolvimento da inteligência artificial, plenamente conscientes de que ninguém deve ser deixado para trás.»
O ministro evocou ainda a visão defendida por Giorgia Meloni quanto à necessidade de mecanismos de governação global «respeitosos das diferentes abordagens e realidades», defendendo que a legislação europeia sobre IA, cuja elaboração contou com contributo italiano, assenta numa perspectiva que coloca o ser humano no centro do sistema, com responsabilidade e transparência.
Urso destacou igualmente a robustez da infra-estrutura científica italiana, afirmando que o país é o terceiro do mundo em supercomputadores, atrás dos Estados Unidos e da China, sustentado por uma sólida tradição universitária em mecânica quântica.
Num contexto de acelerada transformação digital, o acordo agora firmado projeta África como novo epicentro estratégico da inteligência artificial, sob o signo da cooperação intercontinental e do desenvolvimento sustentável.
(AIM)
