Chuvas fortes. Foto arquivo Teste
Nampula (Moçambique), 17 Mar (AIM) – A época chuvosa em curso está a provocar um impacto severo na cidade de Nampula, onde pelo menos sete pessoas já perderam a vida em consequência de diferentes incidentes associados às chuvas intensas. .
As informações foram avançadas por Ema Amido, durante a quarta sessão do Centro Operativo de Emergência, onde fez um balanço preocupante da situação que afecta as zonas urbanas e periurbanas da capital provincial.
“Desde que iniciou a época chuvosa estamos com um total de sete óbitos. Duas pessoas foram arrastadas no rio Muatala, igual número perdeu a vida por terem sido atingidas por descargas atmosféricas e ainda o caso de três crianças que morreram afogadas no rio Namicopo”, explicou.
Para além das perdas humanas, as chuvas causaram danos significativos em infra-estruturas e habitações, deixando centenas de famílias em situação de vulnerabilidade. De acordo com a responsável, pelo menos 156 famílias na cidade de Nampula e outras 80 no posto administrativo de Anchilo perderam as suas casas.
Estas famílias estão actualmente a receber assistência do governo, que inclui produtos alimentares, kits de abrigo e materiais de construção, numa tentativa de mitigar os efeitos imediatos da crise.
Outro dos impactos visíveis da época chuvosa é a degradação acentuada das vias de acesso. Segundo Ema Amido, cerca de 22 quilómetros de estradas apresentam pontos críticos, dificultando a circulação de pessoas e bens.
“É notório ver a degradação das plataformas e, como tal há muitas dificuldades, contudo existe transitabilidade para quase todos os pontos. Na zona urbana, existiam pontos críticos onde praticamente a transitabilidade estava condicionada, mas graças ao trabalho do conselho municipal, nalgumas vias já foi feita a reposição”, afirmou.
Apesar dos constrangimentos, decorrem acções de mitigação, com destaque para o combate à erosão, visando preservar as infra-estruturas rodoviárias e garantir o acesso às comunidades afectadas.
Face à continuidade das chuvas, as autoridades reforçam o apelo à população para a adopção de medidas preventivas, sobretudo para quem reside em zonas de risco. “A mensagem que fica para a comunidade é que todos aqueles que se encontram em zonas de risco, há necessidade de se mudarem para outras seguras”, alertou Amido.
A responsável acrescentou ainda a importância de reforçar a segurança das habitações precárias, recomendando medidas simples que possam reduzir o impacto directo das chuvas sobre as estruturas.
Entretanto, dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) indicam que o mês de Fevereiro foi marcado por uma fase neutra do fenómeno climático ENSO, o que resulta em padrões irregulares de precipitação entre o litoral e o interior da província.
Segundo a monitoria climática, algumas zonas costeiras registaram níveis de chuva abaixo do normal, enquanto áreas do interior apresentaram precipitação acima da média, variando entre 150 e 400 milímetros. Já no distrito de Memba, foi registada a temperatura mais elevada, atingindo os 35 graus centígrados, acompanhada de uma precipitação de cerca de 101 milímetros.
Apesar dos efeitos negativos das chuvas, o índice de vegetação manteve-se positivo, situando-se entre 90 e 120 por cento, factor que continua a favorecer a prática agrícola e a disponibilidade de pasto.
Ainda assim, o cenário geral mantém-se preocupante, com autoridades a alertarem que, caso as chuvas persistam com intensidade, o número de afectados poderá aumentar, exigindo uma resposta contínua e coordenada para proteger vidas e minimizar danos.
(AIM)
RI/sg
