Maputo, 21 de Mar (AIM) – Os preços do petróleo e do gás natural dispararam esta semana, após o maior campo de gás natural do mundo, no Catar, e importantes infra-estruturas energéticas em países do Golfo terem sido alvo de ataques do Irão.
Em meio à escalada de violência, o Ministro da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos, igualmente Director-Geral e CEO do Grupo ADNOC, Sultan Al Jaber, afirmou que a infra-estrutura energética jamais deveria ser alvo de ataques.
Projécteis e drones iranianos atingiram o complexo de Ras Laffan, no Catar. Nos Emirados Árabes Unidos, foram frustrados ataques às instalações de gás de Habshan e aos campos de Bab, tendo os destroços resultantes das intercepções bem-sucedidas provocado a paralisação da produção.
Na Arábia Saudita, duas refinarias próximas de Riade foram também atingidas por estilhaços. Por seu turno, ataques israelitas atingiram, na quarta-feira, o campo de gás de South Pars, no Irão.
Sultan Al Jaber reiterou que as infra-estruturas energéticas nunca devem ser alvo de ataques. “Infra-estruturas energéticas críticas em toda a nossa região têm sido atacadas, incluindo as da ADNOC. Trata-se de instalações civis, operadas por engenheiros civis, que sustentam economias e o quotidiano muito além da nossa região”, escreveu na sua conta do LinkedIn.
“Este é um ataque injustificado, não provocado e ilegal contra uma nação pacífica. Contudo, não se trata apenas de uma questão regional, mas de uma guerra económica global. Os fluxos de energia estão a ser instrumentalizados”, afirmou.
Acrescentou ainda que “a realidade é simples: segurança energética é estabilidade económica global. Quando os sistemas de energia são alvejados, as consequências fazem-se sentir pelas equipas na linha da frente, pelas comunidades nos Emirados e por famílias e economias em todo o mundo”.
“O apelo dos Emirados Árabes Unidos, bem como da comunidade internacional, é claro: os ataques à infra-estrutura civil e energética devem cessar. É imperioso reduzir a tensão, restaurar a estabilidade e garantir que a energia continue a fluir com segurança para o mundo”, sublinhou.
A QatarEnergy confirmou os ataques à Cidade Industrial de Ras Laffan e às suas instalações de gás natural liquefeito (GNL), indicando que os mesmos provocaram danos extensos na unidade Pearl GTL (gás para líquidos), além de incêndios de grande dimensão.
“Equipas de resposta a emergências foram imediatamente mobilizadas para conter os incêndios, uma vez que os danos foram significativos. Todos os trabalhadores foram localizados e não há, até ao momento, registo de vítimas”, refere um comunicado da empresa, citado pela Energy Connect.
Na quinta-feira, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou que um drone caiu na refinaria Samref, em Yanbu, operada pela Aramco e pela Exxon, estando ainda em curso a avaliação dos danos.
O Gabinete de Imprensa de Abu Dhabi indicou que as autoridades responderam a incidentes nas instalações de gás de Habshan e no campo de Bab, provocados pela queda de destroços resultantes da intercepção bem-sucedida de mísseis.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou que tais ataques contra infra-estruturas críticas e instalações petrolíferas “constituem uma escalada perigosa e uma violação do direito internacional”, representando igualmente uma ameaça directa à segurança e à estabilidade regional.
Uma declaração conjunta emitida pelos Ministros das Relações Exteriores de países árabes e islâmicos, reunidos em Riade na noite de quarta-feira, condenou igualmente os ataques. “Os Ministros afirmaram que tais acções [do Irão] não podem ser justificadas sob qualquer pretexto. Reiteraram ainda o direito dos Estados à legítima defesa, nos termos do Artigo 51.º da Carta das Nações Unidas”, refere a nota.
Entretanto, os mercados reagiram em alta aos acontecimentos. O preço de referência do petróleo Brent ultrapassou os 114 dólares por barril na quinta-feira, mais de 5% acima dos níveis registados na terça-feira na Ásia. Já o preço de referência do gás natural no Reino Unido subiu 6%, atingindo 143,53 therm por ano, antes de recuar para cerca de 140 pence.
Na Europa, os preços do gás atingiram o nível mais elevado desde o início do conflito. O índice de referência TTF, que serve de base a numerosos contratos de fornecimento, abriu com uma subida superior a 30%, fixando-se em 70,70 euros por MWh, antes de recuar para 67 euros por MWh.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros do Henry Hub subiram 3,4%, para 3,17 dólares por milhão de unidades térmicas britânicas (MMBtu), durante o pregão asiático de quinta-feira, enquanto os contratos de óleo para aquecimento registaram uma subida de 5,9%, para 4,45 dólares por galão.
Paulino Checo (AIM)
