Maputo, 02 Jun (AIM) – O ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, disse haver necessidade de maior protagonismo da juventude nos processos de reconciliação nacional, justiça de transição e reforma democrática.
Falando hoje, em Maputo, na abertura da Cimeira Nacional da Juventude sobre Justiça, Reconciliação e Reforma Democrática, Manasse considerou que a participação activa dos jovens é determinante para a consolidação da democracia em Moçambique.
“Queremos uma juventude que participe, que proponha, que questione construtivamente e que contribua para a consolidação das instituições democráticas”, afirmou Manasse.
Segundo o governante, os jovens devem ser vistos não apenas como beneficiários das políticas públicas, mas como actores centrais na definição e implementação das soluções para os desafios do país.
Sublinhou que o futuro de Moçambique depende da inclusão efectiva dos jovens nos processos de governação.
“A juventude não pode ser apenas beneficiária destes processos, deve ser protagonista activa da sua concepção, implementação e monitoria”, declarou.
Manasse destacou o peso demográfico da juventude moçambicana, referindo que a maior parte da população é composta por jovens, o que torna o seu envolvimento indispensável para o desenvolvimento nacional.
“Somos hoje cerca de 34 milhões de moçambicanos, dos quais perto de 80 por cento têm menos de 35 anos de idade. Isto significa que o presente e o futuro de Moçambique têm literalmente o rosto da juventude”, afirmou.
O ministro considerou que os processos de reconciliação e reforma democrática exigem verdade, confiança, inclusão e participação, alertando que nenhuma iniciativa será sustentável sem o envolvimento efectivo da juventude.
“Os jovens representam a maioria da população moçambicana e constituem a principal força social capaz de impulsionar transformações positivas, promover o diálogo e consolidar os valores da cidadania democrática”, acrescentou.
Manasse destacou o papel da Comissão Técnica para a Materialização do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE), que considerou uma plataforma importante para a promoção do diálogo e da construção de consensos sobre reformas estruturais em curso no país.
Por sua vez, a deputada Ivone Soares, em representação da COTE, afirmou que o actual processo de diálogo nacional inclusivo surgiu como resposta à necessidade de evitar a escalada de conflitos pós-eleitorais registados após as eleições gerais de 2024.
“O Diálogo Nacional Inclusivo é o corta-mato que foi encontrado para não nos matarmos, não prolongar a confusão que estava a reinar no país”, declarou.
Segundo Soares, o processo visa criar bases para reformas estruturais no sistema político e de governação, com vista ao reforço da democracia e da estabilidade nacional.
“Este diálogo é um espaço de construção colectiva, onde se discutem e se projectam as reformas estruturais que o país pretende implementar”, afirmou.
A deputada apelou ainda ao envolvimento activo da juventude, sublinhando que os jovens devem assumir um papel determinante na definição do futuro do país.
“A juventude não é apenas o futuro. É o presente que decide o amanhã e cada voz jovem é uma semente da mudança”, disse.
A cimeira reúne jovens de diferentes pontos do país, representantes de instituições públicas, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação, para debater mecanismos de participação juvenil nos processos de reconciliação nacional e consolidação democrática.
(AIM)
SNN/mz
