Maputo, 02 Jun (AIM) – O director executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, defende a necessidade de reconstruir a relação de confiança entre a juventude e a Polícia da República de Moçambique (PRM), considerando que a aproximação entre as duas partes é fundamental para evitar a repetição dos episódios de violência que marcaram as manifestações de 2024.
Intervindo na Cimeira Nacional da Juventude sobre Justiça, Reconciliação e Reforma Democrática, Nuvunga afirmou que o país deve criar mecanismos permanentes de diálogo entre os jovens e as forças da ordem, de modo a ultrapassar o actual clima de desconfiança existente em vários sectores da sociedade.
“Precisamos promover esse diálogo para construir confiança”, declarou.
Segundo o responsável, os contactos mantidos pelo CDD com jovens de diversos bairros mostram que muitos continuam a associar a presença policial aos confrontos registados durante o período pós-eleitoral de 2024, situação que compromete a participação cívica e o relacionamento entre os cidadãos e as instituições do Estado.
“Os jovens não podem pensar que, quando vêem a polícia, é sinal de gás lacrimogêneo, é sinal de chamboco. A polícia tem de ser aquela que facilite a vida na comunidade juvenil”, afirmou.
Nuvunga explicou que a aproximação entre a juventude e a polícia deve integrar as chamadas garantias de não repetição, um dos pilares da justiça de transição defendidos durante o encontro.
Para o activista, a reconciliação nacional não passa apenas pelo reconhecimento das vítimas e pela responsabilização dos envolvidos, mas também pela adopção de medidas que impeçam a repetição da violência que provocou mortes, ferimentos e traumas.
Referiu que os jovens exigem um processo de justiça de transição assente na verdade.
Segundo explicou, várias famílias e sobreviventes manifestaram o desejo de ver reconhecido o sofrimento vivido durante o período de contestação eleitoral.
“Os jovens estão a dizer que aqueles que tombaram sejam reconhecidos, que aqueles que foram feridos sejam reconhecidos e que a memória desses jovens seja preservada”, afirmou.
Nuvunga defendeu ainda o reforço do apoio psicossocial e dos serviços de saúde mental para os jovens afectados, alertando para o aumento de situações de trauma e outras consequências psicológicas associadas à violência.
Na mesma ocasião, o deputado Elísio de Sousa, em representação da presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República, o parlamento, Ana Comoana, sublinhou a importância de envolver a juventude nos processos de reforma e reconciliação nacional.
“Nenhum processo sério de reconciliação nacional ou de reforma institucional pode alcançar legitimidade plena se os jovens forem colocados à margem da reflexão e da tomada de decisões”, afirmou.
O parlamentar acrescentou que a democracia depende não apenas da realização de eleições, mas também do fortalecimento das instituições, da participação dos cidadãos e da protecção efectiva dos direitos fundamentais.
“A democracia não se resume à realização periódica de eleições. Ela depende igualmente da existência de instituições credíveis, da protecção efectiva dos direitos fundamentais, da participação cidadã, da transparência e da responsabilização pública”, declarou.
(AIM)
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