Crianças estudam ao relento em Moçambique
Maputo, 14 de Out (AIM) – Com um rácio de cerca de 71 alunos por professor, o sector da Educação enfrenta o desafio de reforçar o corpo docente e expandir a rede escolar, enquanto o Ministério da Educação e Cultura avalia os resultados alcançados e define as prioridades para 2027.
O défice de professores e a insuficiência de infra-estruturas escolares continuam a pressionar o sistema de ensino em Moçambique, condicionando as condições de aprendizagem e colocando a qualidade da educação no centro das prioridades do Governo.
O problema foi destacado pela Ministra da Educação e Cultura, Samária dos Anjos Tovela, na abertura do II Conselho Coordenador do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que decorre de 14 a 16 de Outubro, na Província de Maputo.
Os números apresentados pela governante revelam a dimensão dos desafios que o sector enfrenta.
Actualmente, 17.160 professores do Ensino Primário trabalham em regime de segunda turma, enquanto 23.207 docentes do Ensino Secundário acumulam um total de 170.569 horas extraordinárias. O cenário evidencia a pressão sobre os recursos humanos disponíveis e a necessidade de reforçar a capacidade de resposta do sistema de ensino.
Sob o lema «Educação, Investigação e Cultura: Vectores Fundamentais para o Desenvolvimento Sustentável», o encontro reúne responsáveis do sector para avaliar os resultados alcançados, analisar a implementação dos planos em curso e definir medidas destinadas a melhorar o funcionamento das instituições de ensino.
Apesar dos constrangimentos, o sector regista avanços na formação inicial e contínua de professores. Na área da Educação e Formação de Professores (EFP) foram graduados 4.033 novos docentes, dos quais 2.116 mulheres.
No mesmo período, 27.204 professores beneficiaram de formação contínua, enquanto 2.245 gestores escolares foram capacitados, numa aposta no reforço das competências pedagógicas e de gestão das instituições de ensino.
Contudo, face ao rácio de aproximadamente 71 alunos por professor, os dados apresentados colocam em evidência a necessidade de assegurar que o investimento na formação de docentes se traduza numa maior disponibilidade de profissionais nas escolas e em melhores condições de ensino e aprendizagem.
A expansão da rede escolar constitui outro desafio prioritário, num contexto em que o aumento da capacidade de acolhimento das escolas deve acompanhar as necessidades da população estudantil.
Para além do Ensino Geral, o balanço do MEC destaca resultados nos domínios da Cultura e do Património. Foram registadas 164 obras literárias, artísticas e científicas, no âmbito da salvaguarda dos direitos de autor.
Entre as iniciativas realizadas figuram ainda a inauguração do Centro de Interpretação Histórica de Chinhamapere, na Província de Manica, e a construção de raiz da Biblioteca Pública de Manica, no distrito de Macate.
As duas infraestruturas representam investimentos na preservação da memória histórica, na valorização do património e na promoção do acesso ao conhecimento e à leitura.
Na área da Ciência, Tecnologia e Inovação, foram realizadas expedições em 25 distritos do país para o mapeamento de plantas medicinais.
As actividades foram complementadas por estudos laboratoriais destinados a avaliar a toxicidade e o potencial antimicrobiano de óleos essenciais extraídos da flora moçambicana.
A iniciativa procura aprofundar o conhecimento científico sobre os recursos naturais nacionais, abrindo espaço para novas linhas de investigação sobre as suas propriedades e possíveis aplicações.
O II Conselho Coordenador do MEC tem igualmente como objectivo avaliar a implementação do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) de 2025 e 2026, partilhar boas práticas provinciais e formular recomendações para o aperfeiçoamento das políticas do sector.
Em representação dos parceiros, a Organização Nacional dos Professores (ONP) considera que o encontro constitui uma oportunidade para aprofundar o diálogo social e identificar soluções conjuntas para os problemas que afectam a classe docente.
As conclusões do Conselho deverão orientar a planificação das actividades para 2027, com enfoque na gestão dos recursos humanos, na formação de professores, na educação à distância, na inteligência artificial e na melhoria das condições de ensino e aprendizagem.
(AIM)
