Maputo, 14 Out (AIM) – O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em Moçambique alerta que o país não está imune à instalação de laboratórios clandestinos de produção de drogas e à circulação de novas substâncias sintéticas mais perigosas.
O representante do UNODC em Moçambique, António De Vivo, afirmou que, na África Austral, há sinais preocupantes, incluindo a descoberta de laboratórios clandestinos de produção de drogas e a detenção de cidadãos estrangeiros suspeitos de ligações com cartéis latino-americanos.
“Estes acontecimentos mostram que Moçambique não está imune a estes casos e levantam uma preocupação importante: a possibilidade de a África Austral ser utilizada por redes criminosas transnacionais”, disse.
De Vivo falava esta quarta-feira, em Maputo, durante a Conferência Nacional sobre Prevenção e Combate à Droga em Moçambique.
O responsável destacou que o encontro ocorre após a adopção, por aclamação, da Declaração de Abu Dhabi pelos Estados membros das Nações Unidas, no âmbito de uma reunião internacional sobre prevenção do crime e justiça penal, realizada de 26 de Setembro a 1 de Outubro.
Segundo De Vivo, a declaração estabelece princípios internacionais para a prevenção da criminalidade, incluindo o tráfico de drogas.
O representante do UNODC considerou igualmente preocupante o aumento do número de pessoas que procuram apoio devido ao consumo de substâncias ilícitas em Moçambique.
A nível mundial, o consumo de drogas aumentou cerca de 34 por cento entre 2014 e 2024, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas de 2026, do UNODC.
“Precisamos de respostas que acompanhem esta realidade, tanto na vertente do consumo como na do tráfico”, afirmou.
De Vivo considerou que a revisão da Lei de Drogas, em vigor desde 1997, constitui um passo importante para responder aos desafios actuais. Neste contexto, manifestou a expectativa de que o Presidente da República atribua prioridade à revisão do instrumento legal.
Por sua vez, o presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, manifestou satisfação pela realização da conferência na capital do país, que reúne diferentes intervenientes envolvidos na prevenção e no combate à droga.
“O consumo e o tráfico de drogas representam uma ameaça à saúde pública, à estabilidade das famílias, à segurança das comunidades e ao futuro das novas gerações”, afirmou.
Manhique defendeu uma abordagem integrada para a prevenção e o combate à droga, envolvendo o Governo, as instituições de justiça, as autoridades policiais, as organizações juvenis e as comunidades.
O edil reiterou ainda a disponibilidade do Conselho Municipal de Maputo para continuar a colaborar com as instituições competentes, através de iniciativas de sensibilização, promoção de actividades saudáveis nos tempos livres e valorização da juventude.
Entretanto, o magistrado do Ministério Público do Brasil e especialista no combate ao crime organizado, Lincoln Gakiya, partilhou a experiência brasileira no combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas transnacionais.
Gakiya explicou que o Brasil enfrenta grandes desafios nesta área, com destaque para a actuação de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que, segundo afirmou, conta com cerca de 40 mil membros no país e está presente em aproximadamente 36 países.
Criado a 31 de Agosto de 1993, o PCC tornou-se uma das principais organizações criminosas brasileiras, com tendência para expandir a sua actuação a nível internacional.
O magistrado referiu igualmente a existência de outra importante organização criminosa brasileira, o Comando Vermelho (CV).
A partilha de experiências sobre a actuação destas organizações decorreu no âmbito dos esforços de prevenção e combate ao tráfico de drogas e a outros crimes transnacionais.
(AIM)
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