Nampula (Moçambique), 29 Mai (AIM) – Uma solução de irrigação dirigida a pequenos agricultores esteve em discussão nesta quinta-feira na cidade de Nampula, capital da província do mesmo nome, no norte de Moçambique, com os principais intervenientes do sector empresarial e assistência a avaliarem a sua oportunidade e rentabilidade.
Trata-se de um sistema de bombas manuais de irrigação que não necessitam de combustível, nem de energia eléctrica ou solar, apenas da força física para o seu manuseamento.
Disponibilizada por uma organização internacional, sediada no Quénia, “KickStart”, com acções em outros 17 países, as bombas são de baixo custo, numa altura em que, segundo dados apresentados na ocasião, apenas quatro por cento de terras agrícolas na África subsahariana estão irrigadas.
O director provincial dos Transportes de Nampula, Joaquim Tomás, engenheiro agronómico de profissão, defendeu a necessidade da adopção de novos paradigmas no sector agrário, num momento em que as mudanças climáticas estão latentes.
“Nós, como sector agrário, precisamos de nos reinventar, pois sabemos que os nossos produtores sofrem com as mudanças climáticas que trazem alguma redução na nossa produção”, sugeriu.
Tomás entende que a ligação entre o sector privado e o produtivo, auxiliado pela academia para a investigação, pode determinar a viabilidade dessa tecnologia, se aplicável aos pequenos produtores.
“O objectivo é aumentar a produção e a produtividade num momento em que as mudanças climáticas são visíveis. O nosso grande objectivo é nos reinventarmos para que a nossa produção e produtividade sejam alcançadas. E no fim de tudo o que queremos é que os nossos produtores, tenham a segurança alimentar e haja aumento da venda”, disse.
Flora Takayako, oficial de parcerias da empresa que traz esta nova possibilidade para os pequenos produtores, repisou que os sistemas de rega propostos são a preços acessíveis e sustentáveis.
“Este sistema, em primeiro lugar, foi feito mesmo pensando no pequeno produtor, naqueles que são as nossas dificuldades em África para combater a pobreza. Estes sistemas são sustentáveis porque não requerem combustível, nem requerem electricidade e sol, mas sim a força humana. Então, temos uma vantagem muito grande por ser um sistema que também não polui o meio ambiente, não gasta dinheiro do pequeno produtor”, explicou.
Apontou que estes sistemas de rega já estão a ser usados por perto de 21 mil produtores, um pouco por todo o país.
“Trabalhamos com vários parceiros nacionais e internacionais que têm promovido projectos ligados à melhoria da agricultura irrigada para combater a pobreza, então os produtores têm tido acesso por meio deles. Com este sistema pode-se fazer a escavação de poços em casos de escassez, quando não há chuvas. Então isso tem minimizado esta problemática”, anotou.
Os preços de venda das bombas apresentadas variam entre cinco a 12 mil meticais (um dólar vale pouco mais de 63 meticais ao câmbio oficial).
Artur Baltazar, da OLIPA-ODES, uma organização não governamental do ramo agrário que trabalha há 25 anos com produtores, advoga que a última palavra a eles pertence.
“As tecnologias são oferecidas por projectos e, quando estes terminam, os produtores abandonam-nas. Uma das estratégias que queremos adoptar é permitir que sejam os próprios produtores a tomarem a decisão de se apropriarem delas, porque são eles que irão usar. Eles devem saber o custo dessas tecnologias e qual é o benefício que terão”, observou.
Além disso, sugere que “primeiro, vamos divulgar essa tecnologia, fazer demonstrações práticas junto aos produtores, para eles verem a ciência dessa tecnologia e tomarem a decisão. Depois, o sector de investigação deve ter também o seu tempo para fazer os seus testes e vermos qual é a produtividade dessa tecnologia”.
(AIM)
Rosa Inguane/dt
