Nampula, (Moçambique), 06 JUN. (AIM) – A actual época chuvosa, já no seu término, afectou mais de um milhão de pessoas na nortenha província de Nampula, para além da destruição de estradas, pontes, edifícios públicos e privados e inundações em campos de cultivo.
Estes números foram aflorados nesta quarta-feira pelo Secretário de Estado local, Plácido Pereira, numa sessão do Comité Operativo de Emergência que fez o balanço das acções levadas a cabo pelas autoridades para conter os fenómenos e prestar assistência aos necessitados.
Na época chuvosa, a província de Nampula foi assolada por três ciclones de grande envergadura, nomeadamente; Chido, Dikeledi e Jude, que se juntaram a outras ameaças que enfrenta como ventos e chuva fortes, descargas eléctricas e inundações.
O Secretário de Estado para Nampula partilhou que os efeitos da época chuvosa afectaram quase todos os 23 distritos da província, mas com maior impacto em Mossuril e Ilha de Mocanbique, ambos na zona costeira.
“As chuvas excessivas que se fizeram sentir durante o período em referência, com maior destaque para a passagem do ciclone Jude, causaram transbordo dos caudais dos principais rios e consequentemente inundações, tendo resultado em danos tais como destruição total ou parcial de casas, inundações, o que afectou cerca de 1.442 mil pessoas”, detalhou.
“Houve destruição de escolas, unidades sanitárias, ferimentos em pessoas e óbitos e, nesse momento, tombaram postes de energia, destruídos postes transformadores e embarcações. Milhares de hectares de culturas diversas foram perdidas. Os ciclones e esses eventos climáticos extremos afectaram a circulação de pessoas e bens, pois parte das vias sofreram danos condicionando a transitabilidade”, acrescentou.
Entretanto, os 75 centros de acolhimento já foram encerrados e os seus antigos ocupantes regressaram às suas zonas de origem ou outros locais seguros, onde o governo providenciou ajuda. Contudo, a exiguidade de fundos foi um constrangimento.
Segundo Pereira, os cortes verificados nas principais vias de acesso, nos diferentes distritos, condicionaram as acções humanitárias aos afectados, numa situação em que a população se encontrava sitiada ou isolada. “Os principais constrangimentos que tivemos foram mesmo a exiguidade de fundos para a assistência humanitária cabal, estradas danificadas, cortadas, dificultando a assistência.”
Destacou, por outro lado, o papel “relevante” desempenhado pelas autoridades durante os eventos calamitosos.
Em declarações a jornalistas, a delegada provincial do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastre, (INGD), em Nampula, Anacleta Botão, referiu que a coordenação entre todos os actores é essencial para acções integradas na assistência às comunidades em casos da ocorrência de eventos climáticos extremos.
Botão apontou a necessidade de recursos e meios suficientes para permitir a melhor assistência possível aos afectados.
“Temos que ter recursos para responder a qualquer questão, sendo que a nossa coordenação deve estar muito fortificada, porque na altura da intervenção todos os elementos são chamados a acudir na sua área específica”, defendeu.
A delegada do INGD almeja que, nas próximas épocas chuvosas, as equipas de socorro disponham de melhores meios para acessibilidade às áreas afectadas, como embarcações e carros anfíbios.
Segundo aquela responsável, está em curso o reassentamento, em comunidades seguras, de famílias que abandonaram zonas de risco nos distritos de Mossuirl e Ilha de Moçambique.
(AIM)
Rosa Inguane (RI)/dt
